O bom resultado nos testes de stresse europeus e o interesse dos chineses da Fosun em investir no banco levaram as ações do BCP a dispararem mais de 10% na abertura da bolsa. Mas o ânimo não durou até ao final da sessão. Os investidores começaram por reagir com entusiasmo, à notícia de que os chineses da Fosun, donos da Fidelidade e da Luz Saúde, estão disponíveis para comprar 16,7% do BCP através de um aumento de capital, um investimento que pode ascender a 30%. A informação foi avançada pelo próprio BCP em comunicado enviado ao regulador do mercado, a CMVM, no sábado

Os ganhos acabaram por não resistir a um dia inteiro de negociação, com as ações a fechar com uma perda de 5,4%, a valer 1,9 cêntimos. A viragem não terá sido alheia aos resultados semestrais negativos, de 197,3 milhões de euros, conhecidos na sexta-feira à noite. A sessão foi marcada por um forte sobe e desce do preço, mas também por um volume de negócios muito elevado, quase o dobro do registado nos últimos meses.

Em nota de análise enviada esta manhã aos investidores, o analista André Rodrigues, do CaixaBI, escreve que, no que diz respeito aos resultados, “o BCP apresentou uma performance bastante negativa ao nível da sua conta de resultados, sobretudo por via de um reforço de provisionamento que atingiu um nível não usual”.

Contudo, numa análise ao resultado dos testes de stress, André Rodrigues afirma que “o resultado evidencia as melhorias na posição do banco face ao exercício anterior. De facto, e com as limitações associadas ao tipo de informação divulgada pelo BCP e as naturais ressalvas pelas diferenças entre os exercícios de 2014 e o teste de stress agora divulgado, trata-se de uma informação positiva e relevante e que evidencia a melhoria significativa da posição estrutural do BCP e da sua posição de capital”.

Quanto ao interesse da Fosun, o analista do CaixaBI lembra que “a supressão do direito de preferência dos acionistas na subscrição futura de aumentos de capital do BCP foi apresentada (e depois aprovada) o nosso entendimento é de que a mesma iria promover e potenciar a entrada de novos acionistas no capital do banco, sendo por outro lado penalizadora para os restantes acionistas do banco”. Neste contexto, o especialista faz a seguinte análise, deixando antever uma revisão do seu preço-alvo (10 cêntimos, atualmente) para o BCP: