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A imprevisível viagem da tocha olímpica pelo Brasil em 10 episódios

Este artigo tem mais de 4 anos

Na passagem da tocha olímpica, houve de tudo: quedas, manifestantes a apagar a chama, o Homem Tocha Olímpica, surf, parapente, escorrega e uma senhora a tentar roubar a chama com uma vassoura.

A tocha olímpica vai contar com 12 mil condutores até ao fim do seu revezamento
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A tocha olímpica vai contar com 12 mil condutores até ao fim do seu revezamento

Getty Images

A tocha olímpica vai contar com 12 mil condutores até ao fim do seu revezamento

Getty Images

A viagem da tocha olímpica tem sido longa: começou a 21 de abril em Olímpia, Grécia, e termina esta sexta-feira, no Rio de Janeiro, quando será usada para acender a pira olímpica durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. No Brasil, a chama chegou a 3 de maio, em Brasília, quando foi recebida pela Presidente afastada Dilma Rousseff, e a partir daí 326 cidades de todo o país fizeram parte da passagem da tocha até esta sexta-feira. O Comité Olímpico brasileiro calcula que até esta sexta-feira, a tocha olímpica vai percorrer 20 mil km por terra e 16 mil pelo ar, num caminho que contará, no final com 12 mil condutores, em trajetos de cerca de 200 metros cada.

Num percurso tão longo e com tanta logística envolvida, seria difícil que tudo corresse bem – para a alegria dos internautas. Nas últimas semanas, circularam nas redes sociais diversas imagens, vídeos e memes, que mostram o lado mais hilariante ou surpreendente da passagem da tocha olímpica pelo Brasil — entre quedas, acidentes, tentativas de roubo e manifestantes a apagar a chama de diferentes maneiras. Houve ainda espaço para que a tocha viajasse de prancha de surf, parapente e escorrega e conhecesse algumas personagens, como o Homem Tocha Olímpica, o “Tiozinho da selfie” e Dona Irene, a senhora que tentou roubar a chama olímpica com uma vassoura.

O Observador recuperou alguns dos momentos que mais fizeram sucesso na Internet durante a passagem da tocha olímpica no Brasil.

Dilma recebe a tocha olímpica, mas engana-se no evento

https://www.youtube.com/watch?v=Q69Fmy3QKAo

Foi logo na cerimónia de chegada da tocha olímpica ao Brasil que começou a haver assunto para a criação de memes. A primeira vítima foi a Presidente afastada Dilma Rousseff, no seu discurso durante o evento que marcou o momento em que se acendeu a tocha em Brasília. Diante de uma plateia composta por atletas e políticos, Dilma optou por improvisar e chamou a atenção dos presentes ao explicar que a chegada da tocha serviria para comemorar dois processos “tecnológicos da humanidade”: a “cooperação para competir” e o fogo.

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Noutro momento, a Presidente afastada confundiu os Jogos Olímpicos com o Mundial de Futebol. “Nós temos certeza que faremos uma Copa [Mundial de Futebol] segura, uma Copa que vai garantir… aliás, desculpa, uma Olimpíada, é que falei em Copa, e estou com a Copa na cabeça”, disse. Alguns segundos depois, voltou a repetir o lapso: “Quero dizer que todos aqueles que quiserem participar desta Copa, digo, desta Olimpíada, que venham aqui.”

O Homem Tocha Olímpica que eclipsou a verdadeira

A passagem da tocha olímpica pelo estado de Goiás foi marcada por uma personagem que não fazia parte das cerimónias. Trata-se de Lúcio Monteiro, ou como ficou conhecido nas redes sociais, do Homem Tocha Olímpica. “Mesmo não sendo condutor, vou correr atrás da tocha em várias cidades. Aqui em Corumbá de Goiás, em Goiânia, em Caldas Novas”, disse ao site Globo Esporte.

O seu sucesso rendeu-lhe um convite oficial para transportar a tocha em Uberlândia. “Fiz essa fantasia de tocha olímpica com o objetivo de participar da passagem, mas o convite não veio. Com isso, resolvi correr atrás da chama olímpica. Fui até Corumbá de Goiás e corri todo o percurso. Depois que minhas reportagens apareceram nos media, o tão sonhado convite chegou”, comemorou.

Quando a tocha olímpica viajou por meios de transporte menos convencionais

Na cidade de Governador Valadares, a tocha olímpica foi levada de helicóptero até ao Pico da Ibituruna, que fica a 1 123 metros do nível do mar, local conhecido pela prática de voo livre. Foi neste cenário que o artefacto saltou de parapente – sem que a chama apagasse.

Em Caldas Nova, a tocha olímpica desceu um escorrega de oito metros num parque aquático. “Treinei mais de 300 vezes essa descida durante o último mês. Fui com roupa e outra vez só de sunga para ver a melhor forma de ela [tocha] não apagar”, relatou Leonardo Ala, responsável pela descida, em declarações ao jornal Diário do Grande ABC.

Já em Ipojuca, a tocha inovou ao surfar na praia de Marcaípe, sob responsabilidade de Carlos Burle, um dos principais surfistas de ondas gigantes do mundo. “Não tem como esquecer o que vivi, aqui. É algo que certamente eu contarei para meus familiares e que guardarei por toda a minha vida. É uma emoção indescritível e algo que me deixa muito emocionado”, relatou.

https://www.youtube.com/watch?v=GCjvCjXLi6k

A tocha olímpica viajou ainda de skate, carro de bois, canoa, barco à vela, avião, lancha e carrinho de rolamentos.

Quando os policiais entraram na dança

Cabe à Força Nacional de Segurança garantir a proteção da tocha olímpica e do seu condutor e não interferir diretamente na passagem. Contudo, em Caruaru, os agentes de segurança quiseram participar de uma maneira mais direta e decidiram cantar e dançar a música “Vida de viajante”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, durante a condução. A escolha da canção não foi aleatória: publicada originalmente em 1953, tornou-se símbolo da região, ao retratar a emigração dos brasileiros para o sul do país, durante a década de 50 e 60, feita a partir de uma longa caminhada.

Uma releitura da canção foi gravada este ano para ser utilizada como banda sonora da passagem da tocha.

Quando a chama olímpica foi roubada por uma senhora com uma vassoura

https://www.youtube.com/watch?v=wa5a3ykeRoo

Dona Irene era uma celebridade local, conhecida pela sua participação no canal humorístico do Youtube “Keké Isso na TV”. A sua popularidade tornou-se nacional, após tentar roubar a chama olímpica com uma vassoura, em Mossoró, durante a gravação de uma reportagem para o programa.

No meio da multidão, Dona Irene tentou alcançar a tocha com a vassoura – e quase conseguiu. O seu esforço foi recompensado pelo público presente no evento, que a ajudou a aceder a sua “tocha” de maneira improvisada. Dona Irene saiu a correr pelas ruas com a vassoura em chamas, que chegou a ser passada entre alguns moradores da cidade.

Uma queda que virou campanha publicitária

Nervosismo, ansiedade e condições climáticas. Estes são alguns dos motivos atribuídos pelos condutores que caíram durante a passagem da tocha olímpica – e não foram poucos. Há, no entanto, alguns casos que chamaram mais a atenção. Foi o caso da empresária Luiza Trajano, proprietária de uma rede de lojas no Brasil, que caiu durante o trajeto. “Receber a tocha na minha cidade, ter a minha acesa pela minha filha querida, Ana Luiza Trajano, foi uma emoção tão grande, que até caí! Mas, como sempre faço em todos os meus tombos, levantei rápido e continuei a cumprir a minha missão”, justificou na sua conta no Instagram.

O vídeo da queda tornou-se tão popular que a loja da empresária aproveitou o momento para fazer uma promoção para os seus clientes em todo o país. “A Dona Luiza caiu, mas está bem. Vocês pediram, e os preços caíram também!”, dizia o anúncio.

A selfie mais famosa da passagem da tocha

Um dos símbolos máximos dos Jogos Olímpicos não poderia ter deixado de ser registado pelos condutores e público na sua passagem por todo o Brasil, mas foi em Osasco que aconteceu a selfie mais famosa da passagem da tocja.

Tudo começou com um choque entre um polícia e uma bicicleta durante a condução do artefacto, o que mobilizou a Guarda Nacional para garantir a segurança da tocha e dos envolvidos. Foi neste momento de descuido que José Carlos Almeida Cruz atravessou o cordão de segurança para fazer uma selfie do incidente. “Na hora, eu só pensei na foto, em poder guardar uma lembrança. Era um momento único”, disse ao site G1.

https://www.youtube.com/watch?v=hIXM76aoIac

A imagem de José Carlos rapidamente ganhou notoriedade nas redes sociais e rendeu-lhe a alcunha de “Tiozinho da selfie”. “Quando eu cheguei para trabalhar, o pessoal da empresa me mostrou as montagens, os vídeos. Falaram que eu sou o ‘famoso da empresa”, explicou.

A imagem registada por Carlos virou um meme e deu espaço à criatividade dos brasileiros.

Quando a chama inspirou um pedido de casamento

A passagem da tocha olímpica pela cidade de São Luís vai ser inesquecível para Samya Caetano. Ao passar a chama olímpica para o seu namorado, Romeu Matos, foi surpreendida com um pedido de casamento: “Samya quer casar comigo?”, lia-se no cartaz, que levava Romeu. A resposta? “Sim”, para a alegria e emoção do público presente. Foi no dia 12 de junho, o “Dia dos Namorados” no Brasil.

Com uma coroa de flores e véu improvisados, Samya recebeu um bouquet e um balão do seu futuro marido. Juntos, percorreram alguns metros da passagem da tocha, acompanhados pela filha do casal, Ana Cecília.

A dura batalha da chama para manter-se acesa

A crise política no Brasil e o descontentamento de uma parte da população brasileira com os Jogos Olímpicos, no contexto da crise económica, motivou algumas manifestações em todo o país. O objetivo, na maioria dos casos, era apagar a chama olímpica. A principal “arma” utilizada foi a água, como nas cidades de Maracajú, Porto Alegre e Guarulhos.

Em Cascavel, um homem tentou apagar a chama da tocha com um extintor de incêndio. Acabou preso pela Guarda Nacional. No mesmo dia, em Maringá, uma mulher tentou realizar a missão com um cartaz onde estava escrito “Fora, Temer”, em referência ao Presidente interino do Brasil, Michel Temer. Em Joinville, o extintor de incêndio voltou a ter protagonismo, também sem sucesso. A condutora foi quem sofreu com a inalação de gases, mas recuperou e terminou o trajeto.

https://www.youtube.com/watch?v=KlyxhODVj_c

Ela acabou por apagar-se, em Porto Alegre, mas por problemas técnicos, tendo sido substituída por outra unidade.

O roubo da tocha olímpica

Manifestantes tiveram sucesso em interromper a passagem da tocha olímpica apenas a oito dias do fim da viagem, quando um grupo de pessoas roubou e apagou a chama, em Angra dos Reis. Os manifestantes protestavam contra o encerramento de uma Unidade de Pronto Atendimento de Saúde, a suspensão dos serviços de autocarros e os atrasos nos salários de funcionários públicos. A polícia militar teve que intervir para dispersar a multidão, que chegou mesmo a atirar pedras à comitiva. O protesto interrompeu a cerimónia na cidade.

Esta sexta-feira, a tocha olímpica completa o seu percurso e chegará ao Estádio do Maracanã durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. A forma como vai acender a pira é sempre um dos maiores segredos guardados do momento que marca o início dos Jogos.

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