O ex-presidente da estatal Eletronuclear Othon Luiz Pereira da Silva foi condenado a 43 anos de prisão, a pena mais pesada no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção da história do Brasil.

O juiz Marcelo da Costa Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, aplicou, na quarta-feira, a pena pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, embaraço às investigações, evasão de divisas e participação em organização criminosa.

Segundo o Ministério Público Federal, o ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, recebia 1% de suborno nos contratos assinados entre a estatal e as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, para a construção da central nuclear Angra 3, no complexo nuclear de Angra dos Reis.

Othon Luiz Pereira da Silva, que também é vice-almirante da Marinha, foi um dos alvos da 16.ª fase da Operação Lava Jato, que investigou irregularidades em contratos no setor elétrico.

Preso em julho de 2015, o antigo dirigente foi libertado em dezembro, mas voltou a ser detido em julho pela Polícia Federal durante a Operação Pripyat, um desdobramento da Lava Jato, acusado de continuar a exercer influência na Eletronuclear.

O juiz Marcelo da Costa Bretas teve em conta a carreira reconhecida nacional e internacionalmente do réu, que lidou com uma área estratégica para o Brasil.

“O condenado abriu mão da sua honrada história para praticar, já na fase derradeira de sua vida profissional, atos de lavagem de capitais, falseando contratos comerciais, possivelmente para garantir uma aposentadoria mais confortável”, escreveu o magistrado na sentença, citada pela imprensa brasileira.

De acordo com o juiz, “Othon Luiz utilizou ilicitamente a sua notoriedade profissional e importância do cargo”, algo “altamente reprova?vel”.

Trata-se da maior pena no âmbito da Lava Jato, depois da pena aplicada ao ex-ministro José Dirceu, que trabalhou no Governo do ex-Presidente Lula da Silva, sentenciado a 20 anos e dez meses de reclusão, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Foram igualmente condenadas 12 pessoas por envolvimento no desvio de recursos públicos da construção de Angra 3, entre elas pessoas ligadas às empreiteiras.

A filha de Othon Luiz Pereira da Silva, Ana Cristina da Silva Toniolo, foi condenada a 14 anos e 10 meses de prisão, além de pagar multa, pelos mesmos crimes do que o pai.

Sete pessoas foram beneficiadas com a redução de penas por causa de acordos de ‘delação premiada’ (prestação de informações em troca de redução de pena).