Vários membros destacados do Partido Republicano estão “a explorar, ativamente” o que aconteceria se Donald Trump desistisse da corrida pela Casa Branca, tal é a confusão e a frustração que muitos sentem perante a estratégia recente do candidato. A ABC News é apenas um dos órgãos de comunicação social nos EUA que escreve sobre esta possibilidade, mas Donald Trump garante que a sua campanha está “mais unida do que nunca”.

A última semana foi terrível para Trump, algo que se poderá ter refletido nas sondagens — a CBS coloca-o bem atrás de Hillary Clinton (46% vs 39%), quando há poucas semanas apontava para um empate entre os dois candidatos. Em termos mediáticos, o caso mais penalizador terá sido as críticas de Trump à família de um soldado de origem muçulmana que se inscreveu no exército quatro dias depois do 11 de setembro e que morreu no Afeganistão.

Os familiares apareceram na Convenção Democrata para criticar Trump pela sua proposta de introduzir uma proibição temporária para a entrada de muçulmanos nos EUA, algo que Donald Trump criticou duramente.

Numa entrevista à ABC News, Donald Trump foi questionado pelo facto de ter dito que o pai do soldado Humayun Khan “não fez qualquer sacrifício” pelo país. Por seu turno, Trump, esse sim, sacrificou-se através do seu trabalho como empresário, que permitiu dar emprego “a milhares e milhares de pessoas”.

Trabalho muito, muito duramente. Criei milhares e milhares de empregos, dezenas de milhares, construí grandes estruturas. Tive um sucesso tremendo. Penso que conquistei muito”

Algumas das críticas mais fortes a Trump, por causa deste incidente, vieram do ex-candidato Republicano e senador John McCain. “Ainda que o nosso partido lhe tenha atribuído a nomeação, isso não significa que [Trump] tenha carta branca para difamar aqueles que estão entre os nossos melhores cidadãos. Não tenho palavras suficientes para vincar quanto eu discordo com a declaração do Sr. Trump”, afirmou John McCain, num comunicado emitido na segunda-feira.

A controvérsia terá sido um enorme tiro no pé por parte do candidato republicano, mas a gota de água para muitas pessoas no Partido Republicano foi a indicação por parte de Donald Trump de que não se sente confortável em apoiar Paul Ryan nas primárias do partido no Wisconsin, num processo eleitoral que está a decorrer para os organismos estaduais.

Nas últimas horas, surgiu a informação de que, ao contrário de Trump, o seu parceiro de corrida Mike Pence apoia Paul Ryan.

Pelo meio, o caso caricato de Donald Trump a pedir a uma mulher que abandonasse a sala onde estava a fazer um discurso, por ter ao colo um bebé que estava a chorar.

Mas como poderia Donald Trump desistir, ou ser forçado a desistir? Segundo a ABC News, o empresário teria de abandonar a corrida por sua própria iniciativa. Não existe qualquer mecanismo previsto para retirar a nomeação a Trump pelo que, segundo um especialista jurídico contactado pelo canal televisivo, Trump teria de desistir até setembro, para dar tempo ao Partido para encontrar um substituto.

Contudo, ao garantir que o partido “está mais unido do que nunca”, Trump parece descartar a hipótese de desistir. Isto apesar de notícias de que muita gente na campanha estava muito desanimada e que Trump estaria prestes a “meter a viola no saco”.