Na Grécia Antiga, onde nasceu um dos eventos desportivos mais importantes da História da humanidade, uma chama era mantida acesa durante todos os Jogos Olímpicos. Simbolizava a lenda em que Prometeu, um titã defensor dos seres mortais, rouba o fogo a Zeus para o entregar aos homens comuns e permitir o seu progresso na Terra. E era também uma homenagem à deusa Hera, mulher do mais poderoso deus da mitologia grega.

Hoje, a chama olímpica simboliza algo mais. É, de acordo com o Comité Olímpico Internacional, um símbolo “dos valores positivos que o Homem sempre associou ao fogo” e serve para unir os atletas da atualidade e os de antigamente através do tempo. Desde 1936, quarenta anos depois do início dos Jogos Olímpicos Modernos, uma chama é criada uns meses antes do início de cada edição do evento: a tocha viaja até Olímpia, onde tudo começou, e é acesa através dos raios do Sol. Depois viaja até ao país organizador, transportada por vários atletas ao longo do caminho.

Muitos momentos há para recordar, nem sempre positivos. Em Berlim, no ano de 1936, a tocha olímpica incendiou a pira depois de todo o público ter feito a saudação nazi. A seguir veio a II Guerra Mundial e os Jogos Olímpicos foram interrompidos até 1948. Nos Jogos de Tóquio em 1964, Yoshinori Sakai – atleta nascido no mesmo dia em que foi detonada a bomba de Hiroshima – acendeu a chama olímpica para simbolizar “o progresso do Japão”.

Na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Seul, há 28 anos, algumas pombas foram libertadas para simbolizar a paz no mundo. Só que a chama olímpica foi acesa logo a seguir e muitos pássaros acabaram queimados vivos. Na edição seguinte, em Barcelona, foi um arqueiro paralímpico quem incendiou a pira olímpica, colocada no cimo do estádio. Em Atlanta, em 1996, o campeão olímpico Muhammad Ali incendiou a pira com as mãos trémulas: tinha sido diagnosticado com doença de Parkinson.

É assim, entre emoções inflamadas, que se começam os históricos Jogos Olímpicos. Enquanto não arranca a edição do Rio de Janeiro, à meia-noite portuguesa, veja como foram as cerimónias de aberturas dos Jogos Olímpicos de 1936 em diante.