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A memória é a capacidade que o ser humano tem de armazenar no cérebro as aprendizagens e informações que adquire ao longo da vida. Não fosse ela e seríamos incapazes de aprender na escola, de manter relações sociais ou de termos uma rotina diária. Embora tão necessária para o Homem, a memória não é um bem garantido: primeiro, porque alguns nascem com ela mais fiel do que outros. E depois, porque se vai deteriorando com o tempo, precisando por isso de ser ginasticada. E por falar em ginástica…

Temos outro desafio para si. E este vai servir para descobrir como está a saúde da sua memória: tão resistente como a de um elefante ou tão fugaz como a de um peixe. Eis o objetivo. Aqui em baixo estão três listas. Leia lentamente cada uma das palavras das três listas: perca um segundo em cada uma, não salte nenhuma e concentre-se nelas.

Lista 1 Lista 2 Lista 3
Colina Mesa Cama
Vale Sentar Repouso
Escalada Pernas Acordado
Cimeira Assento Cansado
Topo Sofá Sonhar
Montículo Secretária Acordar
Pico Reclinável Dormitar
Plano Sofá Manta
Glaciar Madeira Cochilar
Cabra Almofada Sonolência
Bicicleta Suporte giratório Ronco
Alpinista Tamborete Sesta
Distância Sentado Paz
Íngreme Balanço Bocejar
Ski Banco Sonolento

Mais aqui em baixo vai encontrar mais uma lista. Olhe bem para ela e, sem olhar de novo para a tabela que lhe apresentámos ali em cima, indique quais delas aparecem nas três listas que esteve a ler há instantes. Anote-as num papel (sem batota). Pode começar.

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Topo – Cadeira – Dormir – Assento – Devagar – Forte – Bocejar – Montanha – Doce

Muito bem. Agora vamos ao momento da verdade. Se anotou as palavras “topo”, “assento” e “bocejar”, parabéns: estas palavras estavam de facto nas listas que leu em primeiro lugar. Se achou que as palavras “devagar” e “forte” não apareciam nas listas apresentadas, muito bem: essas palavras nunca tinham de facto sido apresentadas. Mas provavelmente vacilou nas palavras “cadeira”, “montanha” e “dormir”. Encaixavam tão bem nas listas 1, 2 e 3. A maior parte das pessoas afirma que estas palavras faziam parte das listas. A verdade é que não. Elas nunca apareceram. Então, porque está a memória a traí-lo?

Em 1995, Henry Roediger e Kathleen McDermott realizaram um estudo baseado nos apontamentos do psicólogo James Deese, conta o The Guardian. Os participantes ouviram as palavras que compunham as três listas. Depois de uma conversa, uma quarta lista era-lhes apresentada. Essa nova lista tinha palavras relacionadas com as primeiras três listas. Após escolherem as palavras que, segundo eles, figuravam na primeira e na segunda partes do exercício, os participantes tinham de dizer quão confiantes estavam nas suas escolhas. Os resultados sugeriam que as pessoas reconheciam palavras associadas que não estavam na lista com tanta frequência (85% das vezes) quanto reconheciam as palavras que de facto estavam na lista.

Trocado por miúdos, isto significa que o cérebro pode julgar lembrar-se de coisas que, na verdade, nunca aconteceram. E isto pode acontecer por causa de um fenómeno chamado “processo associativo”, que nos leva a ativar palavras da mesma família de todas as outras com que tivemos realmente contacto. Mas esta é apenas uma explicação: muitas outras estão ainda a ser estudadas pelos cientistas.