O Deutsche Bank, o maior banco alemão, teria uma insuficiência de capital de 19 mil milhões de euros caso houvesse uma nova crise financeira e económica, segundo um estudo do Centro para a Investigação Económica Europeia (ZEW) — um instituto alemão — divulgado esta quarta-feira.

De acordo com documento, o Deutsche Bank é o grande banco europeu mais vulnerável a uma situação de stresse económico. O estudo usa os critérios utilizados no Stress Tests realizados pela Eurpean Banking Authority em 2014 e por outro lado o método utilizado pela Fed no Stress Test para o setor financeiro norte-americano efetuado em 2016 — “a dimensão das insuficiências depende do nível de stresse que se aplica”, refere o estudo. Seja como for, o Deutsche Bank e dois grandes bancos franceses não ficam bem na fotografia.

Nos pressupostos usados pelo ZEW, o instituto adverte que um aumento de capital — algo sobre o que muitos investidores têm especulado nos últimos meses — não iria remediar a situação do Deutsche Bank, já que atualmente, devido a vários problemas económicos e legais que o banco atravessa, o seu valor em bolsa ronda os 17 mil milhões de euros.

O Deutsche Bank tem mostrado dificuldades em gerar rentabilidade e tem uma situação que os especialistas consideram ainda mais difícil do que o resto do setor, dado o enfoque no segmento na banca de investimento e dado endividamento e exposição do banco a instrumentos derivados. O banco tem garantido que a situação é “sólida como uma rocha”, apesar de o presidente John Cryan ter admitido que a instituição poderá ter de acelerar os esforços de reestruturação operacional. O Deutsche Bank conseguiu, porém, melhorar o desempenho nos últimos testes de stress feitos na Europa em julho (em comparação com 2014).

De acordo com o estudo do ZEW, as outras entidades financeiras em risco são as francesas Société Generale e BNP Paribas, que no caso de uma crise teriam perdas de 13.000 e 10.000 milhões de euros, respetivamente. No entanto, estas empresas não estão nas mesmas dificuldades que o Deutsche Bank, já que, sublinha o ZEW, a sua capitalização bolsista é muito superior.

O ZEW analisou no seu estudo os 51 bancos europeus que foram recentemente examinados pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) nos testes de resistência.

O diretor da área de investigação do ZEW, Sascha Steffen, lamentou, num comunicado, que na Europa falte “vontade política” para aplicar medidas contundentes que resolvam a situação de fragilidade na banca europeia, em comparação com o que foi feito em Washington em 2008, na raiz da crise financeira global.