Foram precisos 24 anos para que a biografia de Osamu Tezuka fosse editada na versão inglesa. Originalmente publicada em 1992, foi agora traduzida por Frederik L. Schodt. Mais de 900 páginas — as primeiras edições estavam organizadas por fascículos — contam a vida do “padrinho do anime“, destacam o seu contributo na cultura japonesa e analisam a realidade do país após a II Guerra Mundial.

O anime pode ser algo com que a maioria dos fãs de banda desenhada e dos cartoons esteja familiarizado — mas, Osamu Tezuka não se dedicou apenas a isto. O manga, nome dado à banda desenhada japonesa, é a imagem de marca do ilustrador. E o que são estes desenhos? São semelhantes à banda desenhada tradicional dos Estados Unidos da América, mas com pormenores diferenciadores: as ilustrações são a preto e branco, as vinhetas são lidas da direita para a esquerda e percorrem-se as páginas de trás para a frente. Quem ler a biografia, terá esse desafio.

The Osamu Tezuka Story - A Life in Manga and Anime by Toshio Ban and Tezuka Productions Translated by Frederik L. Schodt copy

A capa da biografia de Osamu Tezuka pela editora Stone Bridge Press

Em The Ozamu Tezuka Story (em português, A História de Osamu Tezuka), os leitores têm a oportunidade de explorar as duas vertentes — não fosse o ilustrador conhecido por ser o “deus do manga“, “o padrinho do anime” e o “Walt Disney do Japão”. Os três atributos permitiram a Osamu conquistar notoriedade e influência fora do seu país, especialmente nos Estados Unidos da América. Dos trabalhos de maior destaque, o Rapaz Astro (Astro Boy), Budha e O Imperador da Selva (Jungle Emperor) conquistaram o público norte-americano. Este último foi transformado no anime “Kimba, O Leão Branco” (“Kimba, the White Lion”).

Segundo o site Vox, grande parte do trabalho do ilustrador japonês — cerca de 700 bandas desenhadas — não é conhecido além fronteiras, devido “à abundância de material e porque o processo de licença, tradução e publicação é moroso e difícil”. No entanto, os obstáculos não impediram que o realizador Stanley Kubrick convidasse Tezuka para ser diretor de arte no filme 2001: Uma Odisseia no Espaço. O ilustrador recusou, porque não conseguia conciliar o filme com o trabalho que tinha no Japão.

Mesmo depois da morte de Tezuka em 1989, a relação da sua obra com a indústria cinematográfica norte-americana — e com a Disney em particular — foi motivo de algumas polémicas. Muitos acreditam que o êxito do filme “O Rei Leão” não passa de um plágio de “Kimba, O Leão Branco” de Tezuka. O jornal The Huffington Post faz neste artigo algumas comparações da obra japonesa com o filme da Disney, revela que alguns dos envolvidos na fita estavam familiarizados com o anime, enquanto outros membros da equipa negaram conhecer o trabalho de Osamu Tezuka.

A biografia de Tezuka na versão inglesa está à venda na Amazon, por cerca de 18 euros.