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As piscinas do complexo Maria Lenk são ao ar livre. Desde Barcelona, em 1992, que os Jogos Olímpicos não tinham piscinas (para a natação sincronizada, saltos para a água e polo aquático) num recinto sem cobertura. E isso haveria de ser bom, correto? Errado. No Rio de Janeiro, pelo menos, não correu bem. E não correu porque, estando as piscinas ao ar livre, estão também expostas a maiores riscos, como a proliferação de algas.

E foi por causa delas (das algas, entenda-se) que a água da piscinas de saltos passou de um azul cristalino para um esverdeado “pantanal”. Mas isso foi na quarta-feira e só afetou uma das piscinas. Entretanto, a tal “proliferação de algas” proliferou mais ainda, e estendeu-se à piscina contígua do complexo, a maior, onde se disputarão as provas de natação sincronizada e polo aquático.

Não havia qualquer risco para a saúde dos atletas, explicou a Federação Internacional de Natação, quando a primeira piscina “esverdeou”. “O comité de medicina desportiva da Federação conduziu análises à qualidade da água e concluiu que não houve risco para a saúde e segurança dos atletas, e nenhuma razão para que a competição fosse afetada”. Não afeta os saltos para a água, mas afeta a competição de natação sincronizada, impedindo que os juízes analisem com a devida limpidez os movimentos das atletas – na sua maioria subaquáticos e não à tona.

Por causa disso, o Comité Organizador do Rio2016 tomou aquilo a que chamou de “abordagem mais radical”: a piscina foi, este domingo, (dia em que as provas de natação sincronizada se iniciam) esvaziada e reabastecida com água de uma das piscinas de treinos.

Mas por que razão as algas de desenvolveram tão rapidamente (a água da piscina de saltos foi esverdeando mais e mais ao longo dos dias) e alastraram? À BBC, o Comité Organizador explicou-se. E fez o seu mea culpa: para eliminar a coloração verde foi utilizado peróxido de hidrogénio (no fundo, é água oxigenada), e foi pior a emenda do que o soneto, criando-se um ambiente propício ao desenvolvimento e proliferação das algas. “A utilização [do peróxido de hidrogénio] é uma forma de se limparem as piscinas, mas não é suposto combiná-lo com cloro”, admitiu Gustavo Nascimento, o diretor de Manutenção de Equipamentos.

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