A Câmara de Lisboa tem em curso investimentos de cerca de 30 milhões de euros na área da higiene urbana, grande parte dos quais referentes à aquisição de viaturas de remoção, divulgou a autarquia, falando numa modernização do setor.

“É uma nova era, não diria de contentores, mas de uma forma de olhar para a higiene urbana, porque esta modernização não passa só pelos contentores” subterrâneos colocados em cinco locais da cidade, disse à agência Lusa o diretor do departamento de Higiene Urbana da Câmara de Lisboa, Vítor Vieira.

A síntese de investimentos relevantes em curso, enviada pela autarquia à agência Lusa, refere que a grande fatia corresponde à aquisição de 79 viaturas de remoção (15 milhões de euros).

Segundo Vítor Vieira, isso vai possibilitar uma “renovação da frota de recolha, nas suas várias tipologias”.

Outros dos investimentos dizem respeito à colocação de contentores enterrados (6,2 milhões de euros), à remoção de ‘graffiti’ (4,2 milhões de euros por três anos), à instalação de contentores de grande capacidade em bairros municipais (1,7 milhões de euros), à adoção de um sistema de gestão inteligente para contentores subterrâneos (1,4 milhões de euros) e à aplicação de sensores de enchimento (590 mil euros).

Paralelamente, a autarquia está a “pôr papeleiras de maior dimensão nas áreas com maior afluência turística para uma maior comodidade – para o munícipe e para o turista – e também para os serviços de recolha, quer da Câmara, quer das Juntas de Freguesia, que fazem a recolha das papeleiras”, assinalou Vítor Vieira.

“Lisboa está a sofrer este ‘boom’ que é muito bom para a nossa economia de afluência turística e a cidade em quatro anos sofreu uma revolução tremenda em termos de dinâmicas, portanto nós, Câmara Municipal, temos de nos adaptar a isso”, salientou o responsável.

A despesa com a colocação de 550 papeleiras de grande dimensão é de 220 mil euros, de acordo com a informação enviada à Lusa.

Vítor Vieira apontou que outro aspeto a ter em conta na concretização de tais projetos é “a diversidade dos bairros”, que obriga à existência de “sistemas de recolha de resíduos adaptados às características morfológicas e urbanas”.

Ao mesmo tempo, tem de haver uma articulação de serviços, frisou.

O diretor contou que para a colocação de contentores enterrados teve de haver intervenção dos serviços de património da Câmara, já que nas escavações da Rua da Moeda, por exemplo, foi encontrado um canhão do século XVIII, que está agora no Centro de Arqueologia de Lisboa.

Estas medidas inserem-se no âmbito do Plano Municipal de Gestão de Resíduos 2015-2020, o primeiro em Lisboa, que surgiu no seguimento da reforma administrativa concretizada em 2014 e da autonomização da tarifa de resíduos urbanos, no início do ano passado.

Com este plano, o município quer reduzir a produção de resíduos urbanos em 10% até 2020.

Outra das metas é atingir uma taxa de reciclagem de 42% até 2020 e uma retoma da recolha seletiva de 66 quilos por ano e por habitante.