A busca do equilíbrio entre o tempo de trabalho e o de descanso continua (e está para durar). A ideia é atrativa para muitos, em especial, depois do fim de semana prolongado que levou muitos a pensar: deviam ser todos assim.

Trabalhar quatro dias e descansar três pode parecer estranho, mas existem cada vez mais vozes de especialistas a defender a ideia “trabalhar menos para produzir mais“. Um estudo australiano vai ainda mais longe e defende que os trabalhadores com mais de 40 anos só devem trabalhar três dias por semana. Em Portugal, as 35 horas estão de volta para a função pública (embora a redução do horário laboral prometa gerar muita confusão). E a Suécia já começou a testar a semana laboral de 30 horas.

Mas existem soluções alternativas à redução dos dias de trabalho que não implicam necessariamente menos horas laborais. Em 2008, em plena crise financeira nos EUA, o estado do Utah implementou (de forma temporária) o regime de “4 dias, 40 horas”, relembra o El País. A ideia nasceu nos anos 70, num livro com o mesmo nome da autoria de Riva Poor e defende quatro dias de dez horas de trabalho consecutivo para que se possa descansar três, também seguidos. O resultado? Dois terços dos funcionários públicos norte-americanos que aderiram à medida declaram ser mais produtivos e na prática, isso representou mais poupanças para o Estado. Foram pagas menos horas extra e os custos relacionados com o absentismo também desceram. Apesar dos resultados promissores da medida, em 2011 caiu por terra devido a disputas políticas — e não porque os envolvidos (trabalhadores e cidadãos) quisessem voltar ao antigo horário.

Startups com semana de trabalho de quatro dias

Algumas startups já instituíram o fim de semana de três dias como norma, recusando a crença de que existe uma relação causal entre produtividade e horas passadas no local de trabalho. A Treehouse, um serviço online que ensina web design e programação, estendeu a política de três dias de descanso a todos os empregados depois de o presidente do conselho de administração, Ryan Carson, decidir que esse seria o seu horário.

A Basecamp, uma empresa de programação de aplicações foi no mesmo sentido. O presidente Jason Fried instituiu a semana de 32 horas, que devem ser idealmente distribuídas por quatro dias de trabalho. “Quando as pessoas têm uma semana de trabalho mais comprimida, tendem a focar-se no mais importante. A restrição em termos de tempo encoraja tempo de maior qualidade”, explica.

Benefícios do fim de semana de três dias

Trabalhar 365 dias por ano não faz bem a ninguém: prejudica quem trabalha e quem o rodeia. Tirar férias e dias de descanso é importante. E repousar três dias de seguida, por semana é ainda melhor. O site Science of Us indica os principais benefícios do fim de semana prolongado. O primeiro é que dá saúde: quanto mais horas se trabalha por semana, menos saudável se é. As conclusões de um estudo publicado na revista médica The Lancet referem que longos horários laborais aumentam o risco de ataques cardíacos e tromboses.

Fins de semana mais longos também permitem dormir mais e um tempo de sono de melhor qualidade. Mais dias de descanso seguidos também permitem aos trabalhadores recuperar emocionalmente do stress laboral, o que contribuiu para melhorar o ambiente entre colegas de trabalho. O cansaço acumulado contribui para um maior irritabilidade e má disposição generalizada. Cada vez mais estudos reforçam que os trabalhadores mais felizes são mais produtivos.

Mas o mais importante continua a ser o fator produtividade. Trabalhar menos horas significa produzir mais, ou seja, passar longas horas no trabalho acaba por se virar contra as empresas refere Sarah Green Carmichael num artigo da Harvard Business Review.

“Muitas investigações sugerem que, independentemente das nossas razões para trabalhar durante longas horas, o excesso de trabalho não nos ajuda. Para começar, não parecem resultar em mais produtividade”, escreve a editora.