O responsável pela campanha presidencial de Donald Trump demitiu-se esta sexta-feira. É a segunda vez no espaço de dois meses que há uma mexida deste género na equipa do candidato republicano. Paul Manafort, que se tornou o homem forte da campanha pouco antes da convenção do partido, viu-se esta semana envolvido num alegado esquema de corrupção com epicentro no antigo presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovic, com fortes ligações à Rússia.

Desde a convenção em que foi oficialmente nomeado como candidato do Partido Republicano, Donald Trump tem vindo a descer nas sondagens eleitorais. Neste momento, não há nenhum estudo que lhe aponte a vitória e todas as previsões o colocam a grande distância de Hillary Clinton. Isto deve-se em grande parte às controversas declarações que o candidato faz frequentemente, o que representa um constante desafio para a entourage que o acompanha. No início da semana, o The New York Times revelou que, no mesmo dia em que despediu o anterior diretor de campanha, Donald Trump foi abordado por conselheiros e familiares no sentido de se conter nas coisas que dizia. O esforço, notava o jornal, falhou.

Por outro lado, as notícias sobre a estreita ligação entre Manafort e o ex-presidente ucraniano acabaram por atirar o próprio candidato para segundo plano, o que se tornou particularmente problemático numa altura em que Trump tentava atacar Hillary Clinton pelo facto de a fundação da candidata democrata aceitar donativos estrangeiros. Paul Manafort, consultor político com vasta experiência, teve um papel decisivo no regresso de Viktor Ianukovic ao poder, em 2006. Em 2010, seria eleito presidente da Ucrânia. E, em março de 2014, acusado de apenas querer defender os interesses russos no país, abandonou o cargo e exilou-se voluntariamente.

A partida de Paul Manafort é, assim, mais um episódio na atribulada caminhada de Trump, que nas últimas semanas atacou a família de um militar muçulmano morto em combate e fez comentários que foram interpretados como um incentivo ao homicídio de Hillary Clinton. “Estou muito satisfeito com o grande trabalho [de Manafort] que nos ajudou a chegarmos onde estamos hoje, em particular com a orientação que nos deu através do processo da convenção”, escreveu Trump num comunicado de imprensa.

Na quarta-feira, Donald Trump fez algumas mexidas na equipa. O cargo de diretor de campanha, vago desde que Corey Lewandowski tinha sido despedido, em junho, só agora foi oficialmente preenchido, apesar de Manafort ter assumido essas funções oficiosamente. Várias fontes citadas pelo The New York Times e pelo The Guardian salientam que a relação de Trump com Lewandowski sempre foi melhor do que com Manafort e que o candidato ainda telefonava frequentemente ao anterior companheiro de campanha para pedir conselhos.

Na quinta-feira, poucas horas antes desta mudança na equipa, Donald Trump disse que está “arrependido” de ter dito “algumas coisas” nos últimos tempos. Esse discurso, previamente escrito, teve mão da nova diretora de campanha, Kellyanne Conway, vista como uma estratega mais moderada.