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Feyisa Lilesa ganhou a medalha de prata mas pode ser morto ao chegar a casa

Feyisa Lilesa fez um gesto de protesto contra o governo etíope ao cortar a meta da maratona, e admitiu que poderá ser preso ou morto ao regressar ao seu país. Protestava contra as mortes do seu povo.

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Os braços cruzados em cima da cabeça representam o apoio ao povo Oromo, que tem sido muito afetado pela brutalidade policial na Etiópia

AFP/Getty Images

Os braços cruzados em cima da cabeça representam o apoio ao povo Oromo, que tem sido muito afetado pela brutalidade policial na Etiópia

AFP/Getty Images

Quem viu o maratonista Feyisa Lilesa a passar a meta, no Rio de Janeiro, e a celebrar com os braços cruzados acima da cabeça, não terá dado grande importância ao gesto do atleta, nem sequer percebido o quão perigoso era aquele momento. “Se voltar para a Etiópia, se calhar vão matar-me”, reconheceu Lilesa a seguir à prova. Tratava-se de um símbolo de protesto contra o governo etíope, que tem sido responsável pela morte de centenas de pessoas do povo Oromo, o maior grupo étnico do país, e do qual Lilesa faz parte.

Este gesto tem sido utilizado pelos manifestantes na Etiópia, que se têm revoltado contra o governo do país devido aos planos de expansão da capital, Adis-Abeba, em que se prevê utilizar as terras da tribo Oromo e retirar de lá os nativos. De acordo com o The Washington Post, grande parte destes protestos têm terminado em matanças brutais por parte das autoridades. A Human Rights Watch revela que desde novembro já foram mortas mais de 400 pessoas, sobretudo civis.
O governo terá recuado nos planos para expandir a cidade para os terrenos dos Oromo, mas os protestos continuam, com os manifestantes a condenar as detenções arbitrárias. A Amnistia Internacional denunciou, no início de agosto, que pelo menos 97 pessoas foram mortas num protesto pacífico na capital.

Na conferência de imprensa após a prova, Lilesa explicou o gesto. “O governo etíope está a matar o meu povo, por isso eu fico do lado dos manifestantes em todo o lado. Oromo é a minha tribo. Os meus familiares estão na prisão e se falarem de direitos democráticos são mortos”, disse o atleta aos jornalistas. As consequências do gesto chegaram à Etiópia rapidamente. A televisão pública do país nem sequer transmitiu imagens da chegada de Lilesa à meta, e o atleta já pensa em não regressar ao país natal. “Se voltar para a Etiópia, se calhar vão matar-me. Se não me matarem, colocam-me na prisão. Ainda não decidi, mas provavelmente vou mudar-me para outro país”, garantiu o maratonista.

Feyisa Lilesa repetiu o gesto em frente aos jornalistas, no final da prova:

Mas Lilesa enfrenta outro problema. O Comité Olímpico Internacional proíbe expressamente os protestos políticos nas provas, e poderá até, em última instância, retirar a medalha ao atleta. Na mesma conferência de imprensa, Lilesa disse não se importar. “Não posso fazer nada quanto a isso. Fiz o que devia. Tenho um problema no meu país, e é muito perigoso fazer lá um protesto”, explicou, acrescentando que irá discutir com os seus familiares o que fará no futuro. Ao Let’s Run, o maratonista admitiu a possibilidade de se refugiar nos Estados Unidos ou no Quénia.

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