Elétricos

Isetta regressa ao futuro. Mas eléctrico

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Recorda-se do BMW Isetta, o pequeno e estranho veículo cuja única porta abria toda a zona frontal, volante incluído, para permitir o acesso dos dois ocupantes? Pois bem, está de volta. E eléctrico.

O BMW Isetta foi um carrinho simpático, com apenas três rodas, ou quase, uma vez que as duas traseiras estavam muito juntas. Mas, curiosamente, não era um BMW. Foi concebido pelos italianos da Iso SpA, que construíram o primeiro veículo de produção em série capaz de gastar 3 l/100 km e o baptizaram Iso Isetta. O sucesso foi tal que a Iso o cedeu para produzir sob licença a uma série de países, de Inglaterra a França, passando pela Bélgica, Espanha, Brasil e até à Alemanha, onde a BMW construiu 161 mil unidades.

Com lugar para dois ocupantes, que entravam por apenas uma porta, a tal que expunha toda a frente do carro quando abria, o Isetta tinha só 2,29 m de comprimento, 1,37 m de largura e mais parecia um ovo. O seu motor monocilíndrico, derivado de um motociclo, começou por ter apenas 236 cc e 9,5 cv, o que lhe assegurava uns estonteantes 75 km/h e uns alucinantes 30 segundos para atingir 50 km/h. Não era um avião, mas consumia só 2,9 litros de gasolina e, em 1953, ainda em clima de pós-guerra, a economia era a palavra-chave.

Os alemães apoderaram-se do Isetta como se fosse seu e a BMW produziu-o de 1955 a 1962, primeiro o Isetta 250 e depois a versão 300, que chegou a usufruir de 13 cv, com a velocidade a aumentar para 85 km/h, mas agora a conseguir enfrentar as subidas mais íngremes, o que antes nem sempre acontecia. A popularidade do modelo era tal entre os germânicos que a BMW continuou a fazer evoluir o conceito, e daí a aparecerem versões com portas laterais deslizantes, e até com quatro lugares e duas portas convencionais, foi um instante.

Agora é Microlino, suíço e eléctrico

Depois de 54 anos de ausência, o Isetta está de volta. Ou pelo menos, o seu conceito original, o tal imaginado por Renzo Rivolta, o dono da Iso. Isso deve-se a um homem de que, provavelmente, nunca ouviu falar: Wim Ouboter. Mas certamente conhece alguns dos seus produtos. Este antigo banqueiro suíço, de 56 anos, trocou há muito a sua profissão, que considerava “aborrecida”, pela invenção de brinquedos que servissem miúdos e graúdos. Dois exemplos? A micro-scooter que os portugueses conhecem como trotineta, com duas ou três rodas, e a kickboard, uma prancha flutuante para ajudar quem quer aprender a nadar ou melhorar a sua técnica.

Ouboter virou a sua atenção para os carros eléctricos e recorreu à universidade suíça ZHAW, em Zurique, onde habita, para, em colaboração, conceberem um veículo que fosse pequeno, leve e barato. Tudo o que os carros eléctricos devem ser e ainda não são. E assim nasceu o Microlino.

O pequeno veículo assenta numa plataforma que aloja as baterias, motor, ocupantes e suspensões, servindo ainda para fixar uma estrutura tubular, que depois é revestida por uma carroçaria em fibra. E está homologado como quadriciclo, o que limita os impostos e facilita o acesso a quem tão tem carta de condução.

O seu motor de 15 kW é mais que suficiente para garantir uma utilização dinâmica, sobretudo porque o peso não deverá ultrapassar os 400 kg – a quantidade de baterias que transporta também não é grande, o que evita o incremento dos quilos e dos euros –, estando limitado a 100 km/h de velocidade máxima.

Com uma autonomia entre 100 a 120 km, o Microlino vai estar disponível a partir do final de 2017 e deverá ter parte dos seus componentes produzidos na China, pela Kandi Technologies, construtor de automóveis chinês que já participou na fabricação do primeiro protótipo.

O preço? Será particularmente atractivo, algures entre os 8.000 e os 12.000 euros, consoante os países.

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