Segundo o representante do músico, Jean-Baptiste Frederic Isidore Thielemans — conhecido como Toots — “morreu durante o sono” num hospital de Bruxelas.

Toots Thielemans nasceu no bairro de Marolles, na capital da Bélgica em 1922, tendo alcançado a notoriedade como tocador de harmónica quando se juntou a uma digressão da orquestra do norte-americano Benny Goodman, na Europa, em 1950. Ainda antes da II Guerra Mundial, a harmónica já era um hobby de Thielemans, mas depressa se tornou um talento com direito a palcos e concertos a solo.

Um ano antes, tinha tocado em Paris com os músicos de jazz norte-americanos, Sidney Bechet, Charlie Parker, Miles Davies e Max Roach. Pouco depois, mudava-se para os Estados Unidos, onde começou a acompanhar músicos de jazz como Charlie Parker e Bill Evans ou cantoras como Ella Fitzgerald.

Entre as mais populares colaborações do músico conta-se a que ficou registada no álbum Aquarela do Brasil, gravado em conjunto com Elis Regina. O disco reúne temas como “Wave”, “Corrida de Jangada” ou “Barquinho”.

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As reações à morte do músico surgem um pouco de todo o mundo. O primeiro-ministro belga, Charles Michel, destaca a personalidade de Thielemans e a perda que o seu desaparecimento constitui para a música. “Perdemos um grande músico, com uma personalidade apaixonante. Os meus pêsames estão com a família e os amigos de Toots Thielemans”, escreve.

Já Quincy Jones, músico e produtor norte-americano, afirma “sem hesitação” no website oficial do artista, que “Toots é um dos grandes músicos do nosso tempo”. Já em Singapura, o pianista Jeremy Monteiro refere “estar chocado” com a notícia. Na sua página de Facebook, o músico destaca a relação de amizade e colaboração que tinha com Toots Thielemans.

Além da harmónica, Toots Thielemans era também considerado um exímio guitarrista. Em março de 2014, o músico anunciou o fim da longa carreira marcada sobretudo pelo jazz.