Indo diretos ao assunto: a ideia base para a criação do S.O.S. é uma receita de salmão fumado em vinho do Porto que se tornou célebre no À Parte. Nuno Castro, criador da receita e dono do restaurante da Rua das Flores, no Porto, pôs-se a pensar se não faria sentido criar um espaço onde o salmão fosse a Beyoncé das Destiny’s Child, ou o Justin Timberlake dos ‘N Sync, isto é, a estrela principal que deixa o grupo para ter o destaque que merece. “Mas depois como gosto muito de ostras, de marisco, pensei: porque não alinhar isto e fazer uma coisa diferente?”.

Lá diferente ele é, o novo S.O.S. Até julho, encontrar na Baixa do Porto um espaço com salmão curado, ceviche, ostras, ameijoas ao natural e tártaros de peixe bem fresco, por exemplo, era missão quase impossível. Nuno Castro teve isso em conta. Mas a principal curiosidade em relação ao restaurante situado no Largo de São Domingos é o facto de só entrarem na carta sabores de que o responsável goste.

O nome, a fazer lembrar um refúgio em caso de emergência, quer dizer Salmon, Oysters e Seafood. Elsa e Nuno já tinham um S de salmão e um O das ostras. Quando viram que podiam formar uma sigla sonante, decidiram pôr o nome em inglês porque com o marisco tinham o caldo entornado (embora S.O.M. também ficasse engraçado).

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O interior faz lembrar uma taberna de praia. (foto: © Ricardo Castelo/Observador)

Comecemos então pelo salmão e suas diversas versões. Há o famoso salmão fumado, claro, de prova obrigatória (9€). Seguem-se dois tártaros (12€): o normal, com salmão fresco, cebola roxa e wasabi, e o misto, com salmão fumado, salmão fresco, romã, queijo creme com abacate e lima. Esqueça-se o limão: na cozinha do S.O.S. só entra lima.

Lima faz lembrar ceviche (10€), que tem o habitual leche de tigre, cebola roxa, pepino e maçã verde. Depois há carpaccio com rúcula e citronette, e o gravlax, um salmão mais avermelhado que é curado em açúcar e sal. O salmão vem da Noruega e Nuno Castro garante que ali só chega “o de melhor qualidade”.

As ostras, que podem ser comidas ao natural, com vinagrete ou com vinagrete de pepino, “são maravilhosas”, diz com gosto. Vêm do Sado e de Aveiro, depois de muita pesquisa e provas por esse país fora. No futuro, vai querer ter também de Peniche ou do Algarve, ainda não decidiu.

O ceviche de ostra também é uma delícia“, sobretudo “para as pessoas que não gostam de ostras” para aprenderem a saboreá-las. A mulher, ao lado, dá-se como exemplo. “Não gostava, fazia-me impressão a textura. Mas estas são muito boas, é como comer mar.” O tártaro de ostra (12€) é servido com puré de papaia, maçã verde e pepino.

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Ceviche de salmão. (foto: © Ricardo Castelo/Observador)

No marisco, o primeiro destaque de Nuno Castro vai para as amêijoas ao natural (10 custam 14€ ), “que são muito difíceis de encontrar [em restaurantes], é outro sabor a mar”, diferente das típicas ameijoas à Bulhão Pato que normalmente se encontram por todo o lado. Também há tártaro e ceviche de mexilhão, ameijoa, e camarão (10€ 12€), e um carpaccio de vieira, bem como salada de salmão e de marisco (7,50€).

O pão no S.O.S. não é brincadeira. O cliente pode acompanhar os petiscos com sete variedades diferentes, como pão em bolo do caco, bolinha artesanal simples, com azeitonas, com sementes ou de trigo e alfarroba e ainda uma variante sem glúten. Chega sempre quentinho à mesa, diretamente do forno.

Junto ao balcão está um papel onde todos os dias a equipa vai escrever uma sugestão do dia, que não está no menu e que terá em destaque o peixe mais fresco que há naquele dia na lota. Na semana em que o Observador visitou o espaço, Nuno Castro tinha experimentado um bacalhau fumado em vinho do Porto. “Saiu bem”, diz, satisfeito.

Enquanto nos explica tudo isto, Nuno Castro bebe um moscatel com uma rodela de lima e água tónica, uma das bebidas que se servem no S.O.S.. Tal como a comida, a carta de vinhos foi feita ao gosto do proprietário, pelo que não há vinhos tintos. Na prateleira veem-se vinhos brancos do Dão, Douro e, em breve, dois do Alentejo. Também há um vinho verde de Baião, vinho do Porto branco, moscatel e, claro, os espumantes, que tão bem casam com o marisco. “Neste momento temos espumantes da Bairrada e eventualmente poderei ter um champanhe.”

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No SOS há 22 lugares sentados. No futuro, haverá mais alguns à porta. © Ricardo Castelo/Observador

Até há meia dúzia de anos, Nuno Castro trabalhava pelo mundo todo, sempre ligado à engenharia e à alta tecnologia. Nessas viagens, conheceu bem o que se andava a fazer no mundo da gastronomia em diferentes países e continentes: “comi tudo o que havia de melhor e de pior”, diz, a rir-se. Quando chegava a casa, gostava de cozinhar as novidades para a família e os amigos. Nem parecia o mesmo Nuno Castro que, homem feito, com mais de 20 anos de idade, tentou fazer arroz pela primeira vez e queimou um tacho por não saber que era preciso água para o cozer.

A mudança para a restauração só acontece porque a crise também chegou à engenharia. Foi preciso reagir. “Virei-me para a minha mulher e disse-lhe: vou comprar uma coisa na Rua das Flores, que vai ser o futuro do Porto”. Assim nasceu o À Parte e o salmão fumado que nos trouxe até aqui. Os elogios têm chegado. Fazer com que noruegueses e russos peçam salmão não é fácil, mas o proprietário não só tem conseguido como os clientes têm saído agradados. E os elogios não chegam só em forma de “parabéns”: o casal já tem propostas para abrir, em alguns países da Europa e até na Califórnia, réplicas do S.O.S. “Ainda não pensei muito nisso”, diz, tranquilo.

Por agora, tem outros pensamentos na cabeça. Gerir dois restaurantes dá trabalho, mas Nuno Castro não só não se assusta como deixa escapar que tem “vários projetos de marisco” em mente. “Será um conceito diferente de comer marisco”, adianta, para logo dizer que o resto “está no segredo dos deuses”.

Nome: S.O.S. – Salmon, Oysters, Seafood
Morada: Largo de São Domingos, 33, Porto (em frente à Fundação da Juventude e perto do Palácio da Bolsa)
Telefone: 22 322 2861
Horário: No verão está aberto todos os dias das 12h às 15h e das 18h30 às 23h.
Reservas: Aceitam, por enquanto. No futuro, essa opção deverá cair
Site: www.facebook.com/SOSPORTO