Uma infeção com o vírus zika é particularmente perigosa para as mulheres grávidas pelo risco de poder causar microcefalia (perímetro do crânio menor do que esperado) no bebé. Agora, um artigo publicado na revista científica Radiology mostra outros tipos de anomalias que foram detetados em recém-nascidos infetados com o vírus.

A microcefalia, que se revela por um tamanho do crânio inferior ao normal, é causada pelo desenvolvimento anormal do cérebro. No caso da infeção com zika, o vírus parece perturbar a normal multiplicação das células do cérebro ou a diferenciação e desenvolvimento deste órgão. A microcefalia pode ter consequências no desenvolvimento cognitivo da criança e pode mesmo provocar-lhe uma morte precoce.

As anomalias agora reportadas incluem também um aumento da quantidade de líquido nas cavidades cranianas (mesmo quando o tamanho geral do crânio parecia normal), perda de volume da massa cinzenta e massa branca do cérebro, defeitos no tronco cerebral e no corpus callosum (que faz a ligação entre os dois hemisférios cerebrais), colapso do próprio crânio originando pregas de pele na cabeça e calcificações em zonas do cérebro que desregulam a formação de novas células neuronais, como descreve o jornal americano The New York Times. Nalguns casos também foram identificados problemas oculares e no corpo.

“De um ponto de vista imagiológico, as anomalias no cérebro são muito graves quando comparadas com as de outras infeções congénitas”, disse Deborah Levine, professora de radiologia na Harvard Medical School e coautora do estudo, citada pelo The Guardian.

Identificar os vários tipos de anomalias e a sua imagem radiológica pode ajudar a identificar precocemente o aparecimento de problemas no embrião durante a gestação. Os investigadores alertam que algumas das alterações e problemas podem surgir mesmo depois do nascimento, numa fase em que o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento.

As imagens publicadas foram baseadas na análise de 35 bebés — 17 cujas mães tinham sido infetadas com zika e 28 sem confirmação laboratorial, mas com sinais da infeção. O estudo foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa, em Campina Grande, no estado de Paraíba. Este estado, no nordeste do Brasil, está localizado numa das zonas mais afetadas do país que tem o maior número de casos de infeção com zika e o maior número de casos de microcefalia causada pela infeção.