A Reserva Federal, o todo-poderoso banco central dos EUA, tem vindo a ponderar se deve ou não subir as taxas de juro (o que fez, pela primeira vez, em dezembro, mas não repetiu) mas a presidente Janet Yellen diz esta sexta-feira que “os argumentos em favor de um aumento têm-se fortalecido nos últimos meses“. A declaração, que consta dos comentários preparados que a responsável lê esta sexta-feira na cimeira de Jackson Hole, aumenta a probabilidade de que haja uma subida nos próximos meses — possivelmente já em setembro.

“À luz do desempenho robusto, contínuo, do mercado de trabalho e das nossas perspetivas para a atividade económica e para a inflação, acredito que os argumentos em favor de uma subida da taxa de juro diretora se fortaleceram nos últimos meses”, estará a dizer Janet Yellen na cimeira de Jackson Hole, um encontro que reúne vários responsáveis de bancos centrais mundiais no estado do Wyoming, bem como outros altos responsáveis da alta finança internacional. A imprensa financeira já teve acesso aos comentários, que foram pré-escritos e que são lidos por Yellen neste encontro à porta fechada.

Yellen não descreveu, contudo, a decisão de subir os juros como um dado adquirido. E muito menos se comprometeu com uma data. “Claro que as nossas decisões vão sempre depender do grau a que os dados que vão chegando confirmam as perspetivas” do Comité de Operações no Mercado Aberto, isto é, o organismo da Reserva Federal (Fed) que toma as decisões de política monetária com maiores implicações a nível global. A próxima reunião com deliberações de política monetária acontece em setembro.

Na linguagem invariavelmente críptica dos líderes de bancos centrais, este não deixa, porém, de ser um alerta claro de que a Fed poderá estar pronta a anunciar uma nova subida da taxa de juro. Os juros da Fed subiram pela primeira vez desde a crise financeira em dezembro – para 0,5%. E, no início do ano, o banco central estimava cerca de quatro subidas até ao final de 2016, mas a instabilidade que se viveu este ano nas bolsas levou a Fed a recuar, tanto que só agora, nos últimos trimestres do ano, se fala em mais uma subida.