O Sindicato dos Enfermeiros considerou “um êxito” a greve de quatro dias no Hospital de Guimarães pela contratação de mais profissionais e pelo pagamento das horas em atraso, mas a direção daquela unidade hospitalar avisou que “pouco” pode fazer.

Em declarações à Lusa, a dirigente sindical do Sindicato dos Enfermeiros (SEF), Guadalupe Simões, adiantou que a adesão à greve “rondou os 90%” e que agora “está tudo nas mãos” da administração do Hospital de Guimarães que, disse, “tem autonomia para satisfazer algumas das reivindicações” dos enfermeiros, nomeadamente “a contratação de mais pessoal, acabar com a discriminação em relação aos horários de trabalho e ao aumento de enfermeiros por turnos”.

Contactado pela Lusa, o administrador do hospital de Guimarães, Delfim Rodrigues, explicou que se tem vindo a contratar enfermeiros, estando a ser preparada a contratação de mais cerca de 60, e alertou para os riscos da atitude daqueles profissionais, sublinhando que, estatisticamente e em média, se verifica um acréscimo de 15% na taxa de mortalidade no internamento nos dias de greve, embora lembre que a greve “é um direito” dos trabalhadores.

“Os enfermeiros estão de parabéns, demonstraram de forma clara que estão disponíveis para lutar pelos seus direitos”, afirmou Guadalupe Simões.

A sindicalista lembrou as razões desta jornada de luta como “a semana de 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros e não só para os com vinculo à Função Pública, a contratação de mais profissionais, o aumento de enfermeiros por turno e o pagamento das horas em atraso (cerca de 18.500)” atribuindo responsabilidade à administração daquele hospital em as satisfazer.

“Agora está tudo nas mãos da administração. Claro que também podia haver uma pressão do Governo na questão das 35 horas para todos os enfermeiros e também cabe ao Governo resolver a questão da progressão das carreiras”, disse.

Em resposta, Delfim Rodrigues afirmou que “o Hospital está a cumprir a lei que entrou em vigor a 1 de julho e que estabelece 35 horas de trabalho para quem tem vínculo publico sendo que os restantes enfermeiros foram contratados com contratos individuais de trabalho que os vinculam a 40 horas semanais”.

O responsável lembrou ainda que a unidade hospitalar de Guimarães “contratou 110 enfermeiros no último ano” e que “ainda neste mês de agosto recebeu autorização para contratar mais 57 (33+24) enfermeiros”.

Estes novos profissionais, contextualizou”, permitirão implementar um novo regulamento de horários assim como a aplicação integral das 35 horas semanais de trabalho nos casos de enfermeiros em funções públicas”.

Delfim Rodrigues contestou ainda o número de horas que os enfermeiros afirmam ter em “atraso”: “Há um conjunto de horas em bolsa, previsto na lei. Os enfermeiros preferem ser pagos em tempo do que em horas extraordinárias. É uma situação para regularizar”, referiu.

Sobre a greve e os impactos desta medida de luta, Delfim Rodrigues reconheceu o “direito à greve” mas alertou para os efeitos que esta pode ter na prestação de cuidados aos utentes.

“Estatisticamente, segundo um estudo neste hospital, verifica-se um acréscimo de 15% na taxa de mortalidade no internamento nos dias de greve. Isto tem que fazer pensar. A greve é um direito e não pode ser um problema mas tem que se repensar definição de serviços mínimos para estes profissionais. O direito à saúde também é um direito e quando colidem tem que prevalecer o mais forte”, alertou.