A Ucrânia e os separatistas pró-russos estão a negociar uma “ordem de paz e tranquilidade” a partir de 1 de setembro, quando começa o ano escolar, anunciaram esta sexta-feira os representantes de ambas as partes após uma reunião em Minsk.

“Instamos todas as partes em conflito a declarar um cessar-fogo completo para o início do ano escolar”, disse à imprensa local Boris Grizlov, representante russo nas negociações de Minsk.

Da mesma forma, a porta-voz da delegação ucraniana, Daria Olifer, apelou aos rebeldes para que cessem hostilidades ao longo da linha de separação das regiões de Donetsk e Lugansk.

“Todas as crianças de Donetsk e Lugansk, independentemente do local onde residam, devem ter direito a proteção e segurança. Há que cessar fogo a partir de 1 de setembro”, disse, acrescentando que Kiev cumpre os acordos de Minsk e apelando “à Federação Russa e aos separatistas a cumprirem os seus compromissos”.

Os Acordos de Minsk preveem desde fevereiro de 2015 um cessar-fogo no leste da Ucrânia, mas a trégua tem sido frequentemente violada.

Nas últimas semanas, dezenas de soldados e combatentes rebeldes foram mortos em confrontos, sobretudo nos arredores de Donetsk.

A atual escalada de tensão segue-se às acusações feitas pela Rússia à Ucrânia sobre a alegada preparação de ataques terroristas na Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia em março de 2014.

Em resposta, a Ucrânia negou as acusações e acusou a Rússia de utilizar “pretextos para novas ameaças militares”, colocando as suas Forças Armadas em estado de alerta ao longo da linha de demarcação com a península do Mar Negro e da fronteira com a Rússia.

Um dos principais entraves nas negociações de paz é a falta de acordo sobre a convocação de eleições locais em 2016 nas zonas controladas pelos pró-russos.

A Rússia e os separatistas acusam a Ucrânia de se negar a aplicar a parte política dos acordos, que prevê uma reforma constitucional, a descentralização de competências, uma amnistia e a atribuição de um estatuto especial às zonas controladas pelos separatistas.

A Ucrânia, por seu lado, recusa reconhecer as autoridades rebeldes e exige a retirada de todas as forças russas presentes no país e a entrega ao exército ucraniano do controlo da fronteira entre os dois países.