Aviões que levantaram voo praticamente vazios — porque os passageiros não conseguiram chegar a tempo à porta de embarque –, filas a terminaram junto às portas do aeroporto, tapetes e escadas rolantes parados por questões de segurança. Este sábado, o aeroporto de Lisboa ficou marcado pelo caos provocado pela greve ao trabalho extraordinário de quem todos os dias assegura a segurança nos aeroportos do país.

Num comunicado de imprensa divulgado pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) há ainda relatos de passageiros que embarcaram sem as respetivas bagagens. “A situação a que se assiste hoje é bastante pior do que o pior cenário previsível, o que está a afetar centenas ou mesmo milhares de passageiros, nacionais e estrangeiros”, refere a associação.

A greve protagonizada pelos trabalhadores da Prosegur e da Securitas — que asseguram o raio-x da bagagem de mão e o controlo de cerca de 40 milhões de passageiros anuais — provocou atrasos no embarque de milhares de passageiros, mesmo com companhias, como a TAP, a apelar aos passageiros para chegarem ao aeroporto com uma antecedência de quatro horas.

Segundo fonte da ANA – Aeroportos de Portugal, contactada pela Lusa, o tempo de espera dos passageiros junto aos pontos de controlo raio-x era, às 18h30, de cerca de duas horas — por causa da greve existem menos pontos de controlo, aumentando assim o tempo de espera junto à zona de embarque. Apesar de haver relatos de passageiros que passaram sem controlo, a mesma fonte garantiu que tal não é verdade, com o controlo a ser feito manualmente.

A isso acrescenta-se o reforço que a PSP fez em dia de greve, com todos os agentes que trabalham no aeroporto de Lisboa a serem chamados ao serviço, incluindo os de trânsito, investigação criminal e de intervenção rápida. “Até os que estavam de folga foram chamados a trabalhar”, disse Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), citado pelo Diário de Notícias.

Já Carina Correia, da transportadora área TAP, disse à Lusa que até às 18h30 não havia registo de voos cancelados, no entanto os atrasos nas partidas rondavam os 90 minutos, motivo pelo qual estão a ser oferecidos snacks e garrafas de água a quem se encontra nas respetivas filas.

Enquanto as câmaras de televisão filmavam pessoas amontoadas junto às portas de embarque e passageiros a mostrarem-se surpreendidos com a greve, os sindicatos que representam os trabalhadores em questão falavam de uma adesão à greve a rondar os 80% em Lisboa e superior a 50% nos aeroportos de Faro e do Porto (até à data não havia informação disponível no caso dos aeroportos do Funchal, Porto Santo e Ponta Delgada).

As 24 horas de greve foram marcadas depois de nove meses de negociações, tendo em conta um novo contrato coletivo de trabalho, entre o sindicato e a Associação das Empresas de Segurança (AES).