O chamado “Artigo 50”, que lança o contra-relógio de dois anos para a saída da UE, será invocado sem que haja uma votação no parlamento britânico, segundo o The Telegraph. A confirmar-se, a notícia significa que o Brexit (a saída do Reino Unido da UE) poderá superar um possível obstáculo que poderia revelar-se importante.

O The Telegraph não especifica onde obteve a informação, mas a notícia já provocou reações díspares entre os defensores da saída e, por outro lado, da permanência na União Europeia.

Em comunicado enviado às redações na sexta-feira, antes da publicação desta notícia, a organização Leave.eu (que lutou pela saída) defendeu que “perante rumores de que poderá haver mais atrasos na invocação do Artigo 50, para depois das eleições na Alemanha e em França, no final de 2017, a Grã-Bretanha necessita de transparência sobre as intenções do governo”.

O movimento lembrou que houve 17 milhões de pessoas a votar no referendo de 23 de junho que votaram para que o governo avance com o seu mandato para o Brexit. “É essencial, para os mercados financeiros e para o Reino Unido, que existe certeza sobre este tema o mais rapidamente possível”, podia ler-se no comunicado do Leave.eu.

O Reino Unido já tem vindo a negociar com os parceiros europeus um acordo que defina os moldes para a saída mas só quando for formalmente ativado o Artigo 50 é que tem início o processo de saída, que demorará no máximo dois anos e não pode ser revertido.

Algumas figuras da sociedade britânica, como o ex-primeiro-ministro Tony Blair e o candidato à liderança trabalhista Owen Smith, tinham indicado que uma votação parlamentar à ativação do Artigo 50, uma vez havendo um esboço de acordo com a União Europeia, poderia ser uma forma de travar o Brexit. Isto apesar de Theresa May, sucessora de David Cameron, ter dito quando tomou posse que “Brexit significa Brexit”, deixando claro que tencionava respeitar o resultado do referendo.