Catarina Martins anunciou este domingo, no encerramento do Fórum Socialismo 2016 do Bloco de Esquerda, que o partido está a preparar uma conferência coordenada por Mariana Mortágua sobre “o orçamento que queremos para Portugal”. A porta-voz bloquista disse não querer dispensar ninguém, apoiantes e não apoiantes do Bloco de Esquerda, uma vez que o debate do Orçamento do Estado, começa a ser discutido na Assembleia no próximo mês de outubro, “é um debate para todo o país”.

Considerando o “acordo para parar o empobrecimento em Portugal” que guia o partido, Catarina Martins referiu que “este terá de ser o orçamento da reposição de direitos e de combate ao privilégio (…), do combate às rendas na saúde e na energia”. A bloquista voltou ainda a repetir o caderno de encargos referido na X Convenção do Bloco, em junho deste ano, com ênfase no aumento do salário mínimo e das pensões, e o descongelamento do Indexante dos Apoios Sociais (IAS).

Num discurso que abordou o emprego e as condições de trabalho, mas também as negociações com Bruxelas, Catarina Martins deixou ficar uma crítica ao atual Governo: “As coisas nem sempre correm bem e, por vezes, são anunciadas medidas que desconhecemos e que nos surpreendem, como a do número de executivos na Caixa Geral de Depósitos. Mas respondemos sempre sem esconder as diferenças e com o espírito construtivo”, comentou ainda a bloquista.

Catarina Martins não terminou o discurso de encerramento do Fórum de ideias sem antes garantir que o BE “não se acomoda ao que foi feito até agora” e que a “chantagem europeia não diminui o alcance dos acordos que foram feitos”. “O nosso compromisso é com o fim do empobrecimento”, repetiu.

“Nenhum passo atrás” no próximo orçamento

A coordenadora do BE avisou, também, que não pode ser dado “nenhum passo atrás” no próximo Orçamento, recusando a chantagem europeia e apontando 2017 como o ano do combate às rendas na saúde e energia.

“Desengane-se quem pense que o Bloco se acomoda ao que foi feito até agora ou que a chantagem europeia diminui o alcance dos acordos que foram feitos. O nosso compromisso é com o fim do empobrecimento. Nenhum passo atrás e nenhuma transigência com os passos para dar e que fazem parte do compromisso comum da maioria parlamentar”, disse Catarina Martins sobre o Orçamento no Estado para 2017 no encerramento do fórum Socialismo 2017, a rentrée política do BE.

Segundo a coordenadora do BE, “2017 terá que ser o ano do combate às rendas, na saúde e como na energia”, elencando ainda o aumento do salário mínimo nacional, a atualização das pensões e das prestações sociais, a justiça fiscal e o combate ao abuso laboral e à precariedade como as garantias dos bloquistas na negociação do orçamento.

“Difícil? Sim. Desistimos? Nunca”, atirou, esperando que “nenhuma chantagem nos faça perder a clareza das nossas razões”.