Ao que parece, os primeiros veículos com condução autónoma do exército dos EUA poderão estar nas estradas dentro de cerca de 18 meses. Mas, ao contrário do que preparam as marcas de automóveis convencionais, este sistema de condução autónoma militar não será utilizado na via pública. Antes prestará serviço em áreas extremamente controladas, a baixa velocidade e em missões muito específicas: assegurar o transporte de soldados feridos em combate para os seus tratamentos de reabilitação.

Segundo o “Automotive News Europe”, o programa piloto definido pelo exército estadunidense contará com três fases, a primeira das quais já implementada em Fort Bragg, na Carolina do Norte, uma das várias instalações militares em que está prevista a utilização destes veículos sem condutor. Basicamente, trata-se de carros de golfe com distância entre eixos longa, dotados de um equipamento especial, e que têm como função transportar os soldados das suas casernas até ao centro médico militar de Womack, num percurso com menos de um quilómetro de extensão.

A ideia nasceu quando o exército percebeu que muitos soldados estavam a faltar às suas consultas, em parte, devido ao intenso tráfego e à falta de estacionamento nas proximidades do hospital. O que representava um custo por demais elevado, tendo em conta que este é um centro de excelência no tratamento de danos cerebrais traumáticos, podendo as referidas consultas custar cerca de 5.000€. Logo, providenciar aos soldados um meio de transporte fiável e personalizado poderia reduzir o número de consultas perdidas e, consequentemente, os custos acrescidos que tal representa.

Estes veículos autónomos destinam-se a circular em estradas privadas, parques de estacionamento e passeios de utilização mista no interior das instalações militares. E, nesta primeira fase, segue a bordo um condutor que controla o veículo. Mas a bordo vai já, também, toda a miríade de sensores e outros equipamentos que permitem que, em cada viagem, sejam registados os dados que permitirão a criação do hardware e do software que conduzirá à condução autónoma.

Por isso, na segunda fase do projecto, com início previsto já para o próximo Outono, os veículos passarão a funcionar de forma autónoma, mas ainda com um operador no banco do condutor, pronto para tomar o controlo das operações em caso de emergência. Para que, no final de 2017, início de 2018, estes veículos já sejam completamente autónomos.

Mas as ambições do exército americano não se ficam por aqui. O objectivo último é que a melhor tecnologia seja colocada ao serviço dos combatentes no campo de batalha, pelo que se espera que os ensinamentos retirados desta experiência possam constituir as bases para a criação de veículos de combate autónomos. E como, em qualquer dos casos, estes veículos circularão por diversos tipos de superfícies, muitas das vezes sem quaisquer marcas no piso ou sinais de trânsito, também é expectável que este projecto único de transporte autónomo possa vir a ser benéfico para os automóveis autónomos de todos os dias.