O rio Negro, em plena Amazónia brasileira, foi esta noite (sábado em Manaus) palco para um espetáculo musical de duas horas mas que demorou um ano a ser concebido e produzido, tudo pela proteção do ambiente.

O tenor espanhol Plácido Domingo foi o artista principal em palco, numa superprodução assinada por Roberto Medina, o criador do festival de música Rock in Rio.

O palco, em forma de folha, foi montado no meio do rio, e a bancada para o público também. Ainda que fossem apenas 200 as pessoas que assistiram ao concerto do tenor e dos seus convidados a logística para que tudo corresse bem começou a meio da tarde, com a chegada do público a um hotel, que teve depois ser transportado para o cais e daí, numa “ponte marítima”, para o meio do rio. E no final levado de novo ao hotel.

Mas nesse final Roberto Medina era um homem feliz. O local, ladeado de árvores, iluminadas de várias cores enquanto ia anoitecendo, e a voz de Plácido Domingo acompanhada pela orquestra da Amazónia fizeram das duas horas de espetáculo um momento único.

“Vamos assistir a um espetáculo inesquecível”, avisava no início o criador do Rock in Rio (festival cuja última edição decorreu em Lisboa), acrescentando “mais do que um concerto, o Amazónia Live é o início de um grande movimento pelo planeta”.

O Rock in Rio iniciou este ano uma campanha para plantar quatro milhões de árvores na Amazónia (região fundamental para o equilíbrio ambiental do planeta mas que tem sido muito desmatada), e já tem apoios para três milhões, disse hoje Roberto Medina aos jornalistas.

Ivete Sangalo, cantora brasileira que atuou no início do espetáculo, e até cantou um música com Plácido Domingo, frisou que Amazónia é do Brasil, mas também é do mundo inteiro.

Ivete, que depois atuou em Manaus para milhares de pessoas, esteve apenas na abertura, bem como o tenor brasileiro Saulo Laucas, que cantou “Canto della terra”. Depois seguiram-se duas horas de Plácido Domingo e dos seus convidados, o filho, a soprano Ana Maria Martinez e o guitarrista Pablo Sainz Villegas.

Foram eles os artistas, mas também as árvores da beira do rio iluminadas de várias cores, o palco em forma de planta umas vezes verde, outras roxa, outras vermelha, os holofotes que “pintavam” de branco o céu e confundiam as borboletas. E no palco Domingo cantava Verdi quando era já noite cerrada, Ana Maria Martinez Bernstein, e da guitarra de Pablo saia “Tico-Tico no Fubá”.

“Estamos aqui para escolher como as árvores são importantes para o mundo”, haveria de dizer depois o tenor espanhol, incentivando os presentes a abraçar a causa, a plantarem não três, mas seis milhões de árvores.

Duas horas passadas e apesar da escassa audiência o tenor e os convidados subiriam todos a palco para cantar “Besame Mucho” e depois apenas ficava Ana Maria a cantar “Estrellita”. Plácido veio ainda cantar a quase inevitável “Granada” e para o fim mesmo, todos juntos de novo, “Manhã de Carnaval”, duas vezes porque na primeira não se ouvia a voz da soprano.

Depois de uma tarde de chuva em Manaus, de uma manhã de humidade elevada, foi sem vento e quase fresca a noite do rio Negro. Só talvez com um pouco de luz e de barulho a mais, para as borboletas.