O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (INAC) da Venezuela emitiu, no sábado, um comunicado, proibindo o voo de aviões privados e drones até 5 de setembro em todo o território venezuelano.

“Proíbe-se a operação e circulação aérea no território nacional e demais espaços geográficos da Venezuela das aeronaves classificadas como de aviação geral e privada, em conformidade com o disposto na Lei de Aeronáutica Civil, assim como de todo o sistema de aeronave pilotada à distância, conhecido comummente como drone”, a partir de hoje e até 5 de setembro, refere o comunicado.

O INAC não explica quais as razões que levaram à medida de proibição dos voos privados no país, mas analistas acreditam que tem a ver com a manifestação da oposição convocada para a próxima quinta-feira, 1 de setembro.

A 17 de agosto, a aliança da oposição na Venezuela, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), anunciou que vai “tomar” a cidade de Caracas, “pelos quatro pontos cardeais”, para exigir a realização de um referendo revogatório do mandato do Presidente Nicolás Maduro. “Vamos encher a cidade de manifestantes pelo oeste, este, norte e sul”, anunciou o deputado Luís Florido, do partido Vontade Popular.

Com a “tomada” de Caracas, a 1 de setembro, a oposição pretende que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) fixe a data para que recolha as assinaturas e impressões digitais de 20% dos eleitores, aproximadamente quatro milhões dos inscritos no registo eleitoral, para ativar o referendo.

“Será um marco na história da Venezuela, vai marcar um antes e um depois. Vamos exigir o revogatório, caso contrário, o povo vai fazer valer o artigo 350”, frisou, fazendo referência ao artigo da Constituição que contempla a “desobediência civil” perante “qualquer regime, legislação ou autoridade que contrarie os valores, princípios e garantias democráticas ou menospreze os direitos humanos”.

A oposição quer realizar o referendo revogatório ainda em 2016 e tem acusado o Conselho Nacional Eleitoral de atrasar a calendarização das diferentes etapas do processo. Se o referendo se realizar até 10 de janeiro de 2017 deverão ser convocadas novas eleições presidenciais, segundo a legislação venezuelana. Se o referendo for convocado para depois dessa data, o vice-presidente da Venezuela em funções, atualmente Aristóbulo Isturiz, assumirá os destinos do país até 2019, quando termina o atual mandato presidencial.

Simpatizantes de Nicolás Maduro e ministros do seu Governo têm insistido que será impossível realizar o referendo ainda este ano.