Já falta pouco para podermos escutar o que vai na alma de Nick Cave, que com os seus Bad Seeds vai lançar, no dia 9 de setembro, o disco Skeleton Tree. O nome é negro e o sentimento predominante deverá sê-lo também. Há um ano, o australiano sofreu a perda do filho Arthur Cave, de 15 anos, que morreu ao cair de um penhasco depois de experimentar pela primeira vez LSD. Há poucas palavras que possam expressar tamanha dor, mas Nick Cave costuma exorcizar o passado com letras e melodias. Um dia antes, estreia nos cinemas um documentário sobre o período de gravação do novo registo, chamado “One More Time With Feeling”.

https://www.youtube.com/watch?v=svru1jNLIK8

No mesmo dia, haverá outra instituição anglo-saxónica para ouvir: Wilco. A banda de rock alternativo de Chicago decidiu chamar ao novo longa-duração Schmilco — se parece estranho, lembramos que, ao anterior, chamaram Star Wars — e dele já se conhecem três canções. Uma delas chama-se “If I Ever Was a Child” e tem a dose certa de nostalgia para acompanhar o fim das férias e do verão.

Devendra Banhart mostra, a 23 de setembro, Ape in Pink Marble. Três anos após Mala, o cantor e compositor criado na Venezuela surge mais melancólico nas duas canções que já diantou. Uma delas é “Middle Names” e é a nossa melhor oportunidade para partilhar uma curiosidade: Como nome do meio, os pais de Banhart escolheram Obi, em homenagem à personagem da Guerra das Estrelas, Obi-Wan Kenobi.

Também a 23 de setembro vamos poder escutar de novo o dream pop/rock das quatro Warpaint. Quer dizer, rock pode não ser bem a palavra, tendo em conta a canção que já colocaram na Internet. Heads Up, assim se chama o terceiro disco da banda californiana, já ganhou uma primeira amostra em agosto e, tendo em conta o que ouvimos, talvez haja um desvio pelos caminhos da eletrónica.

Já lá vão cinco anos (!) desde que Justin Vernon lançou um disco de Bon Iver, quatro desde que disse que precisava de se afastar do projeto. A pausa terminou e, no dia 30 de setembro, haverá, finalmente, 10 novas músicas para ouvir — cada uma com o nome mais estranho: “22(OVER S∞∞N)”, “10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠”, “29 #Strafford APTS”, a lista continua. O novo disco chama-se 22, A Million e esta semana o norte-americano desvendou mais uma canção:

Ahhh, os prémios Grammy. Quando, no ano passado, o disco Morning Phase, de Beck, venceu nas importantes categorias de Álbum do Ano e de Melhor Álbum de Rock, as redes sociais encheram-se de americanos a perguntarem “Who is Beck?“. Despeitados por nem sequer conhecerem o vencedor, isso só poderia querer dizer que a vitória era injusta. Até Kanye West fez a triste figura de invadir o palco para dizer que a justa vencedora era Beyoncé. Alheio a tudo isto, o norte-americano com eterno rosto de quem acabou de fazer 20 anos continuou a sua vida e lança, a 21 de outubro, um novo disco. Ainda não tem título, mas já sabemos que ele se tem divertido.

O fado e a música popular brasileira vão encontrar-se no frio de novembro. A fadista Carminho está quase a terminar as gravações do seu novo disco, onde só canta músicas de Tom Jobim. João Pedro Ruela, o agente de Carminho, ainda não desvenda ao Observador que músicas do autor de “Garota de Ipanema” farão parte do alinhamento, mas o disco, que vai sair pela editora brasileira Biscoito Fino, já tem nome provisório: “Carminho canta Tom Jobim”. Entre os convidados contam-se Chico Buarque, Maria Bethânia e Marisa Monte. Por falar em Chico Buarque, é graças a um filme sobre o músico que já podemos saber um pouco do que nos espera deste encontro entre o fado e o bossa nova:

Depois de quase dez anos sem um disco de originais, os Metallica anunciaram a saída de um novo álbum. Hardwired…To Self-Destruct vê a luz do dia no dia 18 de novembro pela Blackened Recordings e será o primeiro a ser lançado depois da saída da banda norte-americana da editora Warner Bros. O disco vai ter 12 músicas e sairá em formato de disco duplo. O primeiro single foi divulgado a 18 de agosto e já tem quase 10 milhões de visualizações. São tudo saudades.

You want it darker, é como se vai chamar o novo disco de Leonard Cohen. E, depois de Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014), a fasquia vai alta (o que não é surpresa vindo de quem vem). O 14.º trabalho de estúdio do autor de “Hallelujah” e “So Long Marianne” sai no outono, ainda sem dia específico. Só ouvimos 30 segundos daquele que parece ser o futuro single, num episódio da série “Peaky Blinders”. O vídeo tem bolinha vermelha:

https://www.youtube.com/watch?v=Y8ad_pmpkqY

O terceiro e misterioso disco dos Orelha Negra foi apresentado ao vivo no inverno, em concertos esgotados em Lisboa e no Porto, o lançamento foi agendado para a primavera mas, a poucos dias do verão, ainda não viu a luz do dia. A espera de quatro anos pelo novo disco termina no outono. Pelo hip-hop, a eletrónica, o jazz, o funk e a soul de Sam the Kid, Fred Ferreira, DJ Cruzfader, Francisco Rebelo e João Gomes, esperamos quatro estações sem pestanejar, até porque pudemos ouvi-los com frequência durante os festivais de verão. Está quase, quase.

Continuando nas bandas que prometem novo disco para a rentrée mas não se comprometem com data (olá, Rolling Stones), encontramos os LCD Soundsystem. Depois de cinco anos de paragem, fizeram muita gente feliz ao anunciarem que o projeto ia voltar à vida. No festival Paredes de Coura, parecia que eles nunca se tinham ido embora. O alinhamento do concerto fez-se de sucessos antigos, apesar de James Murphy ter decidido reunir uma das melhores bandas deste século por ter muitas canções novas para gravar. O sucessor de This Is Happening (2010) foi prometido para este ano e, por estes dias, a banda cancelou a digressão asiática “devido a conflitos de agenda ligados às gravações do seu novo álbum”. Mesmo sem se conhecer qualquer música nova ou a data de lançamento, vai ser um dos acontecimentos discográficos do ano. Vamos estando atentos.