Serão poucos os que lhe atribuirão uma conotação religiosa como acontece com o burkini. Esta peça de indumentária, o facekini (palavra composta por “face” — “cara” em língua inglesa — e bikini), tornou-se popular na China por volta de 2012, como mostra um artigo publicado na primeira página do New York Times em agosto do mesmo ano: Essenciais Para a Praia na China: Chinelos, uma Toalha e uma Máscara de Ski.

Neste artigo do New York Times, o jornalista perguntou a uma mulher o porquê de estar a usar uma máscara que lhe tapa completamente a cara, excetuando a boca os olhos e, por vezes, o nariz. Yao Wenhua, de 58 anos, afirmou que estava com medo “de ficar escura”. “Uma mulher deve sempre ter uma pele clara, caso contrário pensam que ela é uma camponesa”, explicou Wenhua ao jornalista.

Outras pessoas que utilizam facekini afirmam também que se preocupam com os raios ultravioleta e que aquela é uma ótima forma de se protegerem totalmente. A acompanhar as proteções para a cara, muitas mulheres usam ainda fatos de banho de corpo inteiro — à semelhança dos burkinis e dos fatos utilizados por praticantes de desportos aquáticos.

Esta tradição de se cobrir totalmente levou alguns cidadãos chineses a protestarem contra a proibição dos burkinis em cerca de 30 municípios de França.

Na passada quarta-feira, dia 24 de agosto, noticia o New York Times, surgiu na conta de Weibo (a mais popular rede social chinesa) do jornal oficial do Partido Comunista Chinês, o People’s Daily, uma publicação onde se podia ler: “Polícias armados em França forçaram uma muçulmana a tirar o seu fato-de-banho conservador. Onde estão os seus direitos humanos?”.

Li Ahong, um utilizador da rede social que se identifica como um homem chinês, escreveu: “Isto não é um passo em direção à civilização, mas um passo atrás em direção à barbárie de intervir em assuntos pessoais. Se é permitido estar nu, devias ter a permissão de te cobrires totalmente”.

Veja em cima a fotogaleria com imagens de várias mulheres a usarem facekinis.