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“Tal como as outras Spice Girls, aprendi muito cedo que não podemos tirar apenas uma fatia da tarte quando se trata de fama. É preciso comê-la toda.” A frase é assinada por Mel C, também conhecida por Sporty Spice devido ao estilo descontraído e habilidade para dar pontapés diante da câmara (fotográfica ou de filmar). A cantora, que nos anos 90 foi uma das mulheres mais famosas do mundo, escreve na primeira pessoa na Love Magazine sobre a sua relação com a fama e explica, independentemente dos constantes rumores, porque é que não voltará a reunir-se com a banda de outros tempos.

No longo texto, acompanhado por retratos que dão conta da boa forma física da ex-Spice, agora com 42 anos, Mel C começa por dizer que o objetivo do testemunho não é queixar-se sobre a sua vida. No entanto, a artista admite que, apesar de ter sempre desejado ser famosa, passou por algumas dificuldades quando estava na esfera pública.

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“Lutei contra muitos aspetos de estar na esfera pública, mas passados 20 anos, depois da maternidade e de muita terapia, estou mais em paz com o facto de ter alcançado a minha ambição de infância”, escreve. Mel C é mãe de uma rapariga, Scarlet Chisholm Starr, fruto da relação de dez anos com Thomas Starr. De referir que a artista há muito que fala publicamente sobre a depressão e o distúrbio alimentar que já teve de enfrentar.

A cantora, que, apesar de ter lançado vários álbuns a solo será sempre conhecida pela girls band dos anos 90, escreve sobre as diferenças entre a fama de outros tempos e a de hoje — quando antes havia mistério e uma dose saudável de intriga, hoje há redes sociais, smartphones e um escrutínio público 24 horas por dia, sete dias por semana. “Antes havia glamour, excitação e nós olhávamos para os nosso ídolos de uma maneira completamente diferente.”

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Mel C conta que em criança queria ser tão famosa como Madonna ou Michael Jackson. Queria ter pessoas a tremer e a chorar de cada vez que a vissem. Queria tanto que foi precisamente isso que teve, juntamente com Mel B, Geri Halliwell, Victoria Beckham e Emma Bunton. A fama, essa, mantém-se até aos dias de hoje, e a ex-Spice admite que esta nem sempre foi uma viagem fácil — houve alturas em que desejou ser anónima, mesmo admitindo que se não fosse a banda seria difícil continuar a fazer o que tanto gosta, isto é, escrever canções e cantar. E é aqui que faz a distinção, ao explicar que é uma cantora e não uma celebridade.

“As coisas eram diferentes nos primórdios das Spice Girls. Ninguém tinha internet (apenas pagers e faxes)”, continua. “Olhando para trás isto parecia charmoso — mas não era. Acho que a minha relação com os media precisou de um tempo para acalmar. Citações erradas, fofocas venenosas e somos para sempre questionadas e julgadas.

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E porque o fascínio pela banda parece não ter fim, Mel C confessa que o fenómeno Spice Girls é, ao mesmo tempo, uma bênção e uma maldição, sendo que todos os dias é questionada sobre quando as cinco se juntam uma vez mais em palco — coisa que fizeram em 2007 e 2012, por altura dos Jogos Olímpicos de Londres.

Eu vou ser uma Spice Girl até morrer. Mas a contínua especulação sobre se nos vamos juntar para celebrar os 20 anos da [música] Wannabe tem sido particularmente exaustiva. Não me interpretem mal, eu percebo. (…) [Mas] porque não podemos apenas ser recordadas pelos nossos feitos incríveis nos anos 90?”, pergunta, explicando que tomou a “decisão difícil” de não fazer parte de um regresso ao lado de Emma, Geri e Melanie B — Victoria Beckham já tinha dito um solene não.

“Somos constantemente recordadas do verso famoso da ‘Wannabe‘ — ‘friendship neves ends’ [a amizade nunca acaba, em português]. Vão sempre existir obstáculos à amizade. Eu adoro as miúdas [as outras ex-Spice Girls]. Temos uma ligação única que nunca será quebrada e eu vou continuar a apoiá-las tanto quanto puder”, conclui.