Os dramas históricos conquistam espectadores em todo o mundo, não é de hoje. Mas a série de televisão Downton Abbey fê-lo de forma difícil de repetir. Numa indústria em que a produção norte-americana consegue (quase) sempre os destaques principais, Downton Abbey foi uma clara conquista inglesa. Ainda assim, os Estados Unidos não ficaram de fora e coproduziram a série. Alguns atores foram “repescados” para outras produções e os media em todo o mundo ficaram rendidos. Na tentativa de seguir a maré de sucesso, Victoria é a nova aposta do canal ITV. Estreou-se na televisão inglesa na semana passada e promete colecionar fãs — de tal maneira que a exportação será inevitável, é esperar para ver quando chega a Portugal.

A trama, como o próprio nome indica, leva o espectador até à Inglaterra de 1837, onde a jovem Victoria de 18 anos se prepara para assumir o trono. Após a morte do pai, o príncipe Edward, e do avô, o rei George III, Victoria torna-se a sucessora natural. Perante a desconfiança dos outros face à sua capacidade enquanto rainha, a jovem tenta reunir o máximo de apoio possível junto de figuras influentes como Lord Melbourne, nomeado primeiro-ministro pela própria. Muitos acreditam que a rainha o terá nomeado por ser bem-parecido, mas, como bem sabemos, estas coisas não são assim tão simples.

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No entanto, alguns fãs da série já afirmaram que gostariam de ver a rainha Victoria enamorada pelo Lord Melbourne e não pelo príncipe Albert, com quem acabará por casar. No Twitter, a discussão e a expectativa aumenta, com dedicatórias dos fãs para os argumentistas: “Não quero que o Albert entre em cena, podemos reescrever a história?” ou “Eu quero que Rufus Sewell conquiste o coração dela!”. Nos dois papéis estão Jenna Colemann como rainha Victoria — uma das protagonistas da série Doctor Who (2015) e atriz do recente filme Viver Depois De Ti (2016) — e Rufus Sewell como Lord Melbourne, conhecido pelas interpretações em Cidade Misteriosa (1998) ou O Ilusionista (2006).

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Em Victoria, a rainha terá ainda de “combater” contra o próprio tio, que quer tornar-se rei. A série acompanha o reinado e o casamento da rainha com o príncipe Albert, ao mesmo tempo que recorda polémicas que ficaram inscritas na história da Grã-Bretanha. Apesar da popularidade inicial de que gozou, Victoria foi acusada de denegrir a imagem e a reputação de Lady Flora Hastings, dama de companhia da rainha: acusou-a de estar grávida de Lord Convoy, um dos pretendentes de outra duquesa, quando na verdade o inchaço que Lady Flora tinha na barriga era um sintoma de um tumor de que sofria.

Os pontos altos e baixos do reinado da rainha Victoria são esmiuçados, sendo que os primeiros episódios são dedicados à construção de uma autoridade — o pragmatismo e a moral tornam-se dois dos valores maiores da jovem de 18 anos face aos seus adversários.

[sim, “Victoria” tem uma conta de twitter]

Após dois episódios, a crítica considera que Victoria tem potencial para se igualar a Downtown Abbey no campeonato dos dramas históricos. O The Telegraph avança com o título: “Esta jovem Victoria pode reinar sobre Downtown”. Já outros críticos, como escreve a Forbes, não têm a certeza se assim será de facto mas esperam para ver.

A série criada por Daisy Goodwin vai ter (inicialmente) oito episódios, — ainda não há informação sobre o número de temporadas — cada um deles está estimado custar mais de um milhão de dólares. No entanto, o preço avultado já terá dado frutos nas audiências: mais de 6,1 milhões de pessoas viram Victoria. O “novo Downtown Abbey”, como é apelidado, terá estreia em janeiro nos Estados Unidos da América. Em Portugal, ainda não há datas previstas.

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