Um estudo realizado pela Universidade do Texas Medical Branch defende que o mosquito fêmea pode passar o vírus à próxima geração, conforme publicado na revista científica Journal of Tropical Medicine and Hygiene. O coordenador do estudo, Robert Tesh, considera que este acontecimento é pouco frequente, mas que representa uma forma de sobrevivência do vírus.

A equipa de Robert Tesh estimou que apenas uma cria fêmea em cada 300 poderia herdar o vírus da mãe infetada, como noticiou o jornal norte-americano The New York Times. Uma frequência de transmissão bastante rara. Mas apesar de não considerar esta descoberta um fator importante para a epidemia do zika, o investigador defende que esta forma de transmissão pode ser um mecanismo de sobrevivência do vírus. De acordo com este estudo, os ovos podem sobreviver nos períodos de seca e invernos, enquanto os mosquitos adultos não.

Esta nova descoberta precisa de ser confirmada na natureza uma vez que foi apenas testada em laboratório. Para averiguar esta questão é necessário recolher, na natureza, ovos e larvas dos mosquitos, Aedes aegypti, que ficam infetados e que podem transmitir a doença ao homem. No entanto, Robert Tesh defende que esta não é uma tarefa fácil, uma vez que estes mosquitos são difíceis de encontrar na natureza.

A motivação da equipa de Robert Tesh para este trabalho foi o vírus La Crosse, responsável pelos danos cerebrais e morte em 72 americanos anualmente (maioritariamente crianças), porque o mosquito Aedes triseriatus o passa facilmente para a próxima geração – cerca de 70% dos mosquitos fêmea nascidos de mães infetadas terão o vírus. No entanto, o mesmo não acontece com os vírus aparentados do zika, como o dengue, o vírus da febre-amarela ou o vírus do Nilo ocidental.

Para além desta espécie, a equipa testou também Aedes albopictus, uma espécie semelhante que é mais frequente nos Estados Unidos. Neste caso, os investigadores nenhuma descendência tinha herdado o vírus da mãe infetada.

Tanto nos Aedes aegypti, como nos Aedes albopictus, apenas as fêmeas podem transmitir o vírus aos humanos, porque são elas as únicas que picam o homem. O sangue é o alimento preferencial das fêmeas quando precisam de mais energia, ou seja, quando estão a produzir os ovos.