Rádio Observador

Biologia

Diabos-da-tasmânia evoluem para resistir a cancro facial

127

Em 20 anos, a população de diabos-da-tasmânia caiu 80% devido a um cancro facial fatal. Mas, aparentemente, a espécie está a recuperar sozinha: em quatro a seis gerações evolui para resistir à doença.

MARK RALSTON/AFP/Getty Images

Nos últimos 20 anos, a população de diabo-da-tasmânia caiu mais de 80% devido a um tumor facial transmissível que afeta esta espécie. Agora, os cientistas verificaram que alguns animais desenvolveram uma forma de resistir a este tumor, que é fatal na quase totalidade dos casos. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.

A equipa de Andrew Storfer, investigador na Universidade Estatal de Washington, caracterizou geneticamente os diabos-da-tasmânia, em várias regiões geográficas, tanto antes como depois de a doença estar presente no local. O que os investigadores encontraram foi duas porções do ADN distintas entre um período e outro. Mais: cinco dos sete genes encontrados nessas porções são conhecidos por estar associados ao cancro e sistema imunitário em humanos. Contudo, falta ainda estudar a função destes genes e perceber como influenciam a sobrevivência da espécie, refere o jornal El Español.

Os resultados apresentados significam que esta espécie, que vive exclusivamente na ilha da Tasmânia, pode estar a evoluir, de forma a resistir ao tumor facial. Esta evolução é muito mais rápida — apenas em quatro a seis gerações — do que seria de esperar para os tempos normalmente longos requeridos pela evolução das espécies.

“Os resultados são surpreendentes porque uma evolução rápida pressupõe a existência de variação genética prévia e os diabos-da-tasmânia [pelo contrário] têm baixos níveis de diversidade genética”, disse Hamish McCallum, investigador no Instituto de Investigação de Ambientes Futuros, da Universidade de Griffith (Austrália), citado em comunicado da instituição.

Mas se a evolução da resistência impressiona os investigadores, a evolução do tumor é motivo para se manterem preocupados. Este é um dos três únicos tumores transmissíveis em mamíferos e pode, potencialmente, ser transmitido a outras espécies tornando-se, virtualmente, imortal, alerta Hamish McCallum.

Conhecer os animais que são mais resistentes à infeção com este tumor é também importante nas estratégias de conservação. O governo australiano tem um plano de manutenção e criação em cativeiro dos diabos-da-tasmânia para prevenir que a espécie se extinga. A diversidade genética é valorizada para manter uma população saudável sob cuidados humanos. Estes genes resistentes à doença poderão ser valorizados neste projeto de conservação, refere o jornal El País.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)