Apoiantes e opositores do governo do Presidente venezuelano Nicolás Maduro são esperados esta quinta-feira nas ruas da capital da Venezuela, Caracas, em duas grandes manifestações que vão servir para medir forças e argumentos.

Os “chavistas” (apoiantes do regime) foram os primeiros a saírem para as ruas de Caracas, na quarta-feira, em resposta a um apelo do chefe de Estado venezuelano que denunciou que setores opositores estavam a preparar, com o apoio dos Estados Unidos, um golpe de Estado para quinta-feira (1 de setembro).

Como tal, e segundo o Partido Socialista Unido da Venezuela, os apoiantes de Maduro assumiram o compromisso de permanecer nas ruas até esta quinta-feira, com a missão de garantir a paz e impedir alegadas tentativas para criar violência nas concentrações da oposição.

Já a oposição venezuelana, que denuncia a perseguição de líderes políticos e a detenção de vários dirigentes, agendou também uma manifestação em Caracas.

Os opositores do atual governo venezuelano exigem que as autoridades eleitorais marquem uma data para iniciar uma nova etapa de um longo processo que prevê a realização de um referendo revogatório do mandato de Nicolás Maduro.

Os venezuelanos, incluindo indígenas do Estado de Amazonas, iniciaram, há vários dias, marchas a partir de várias regiões do interior para participarem na “tomada de Caracas”, uma concentração que a oposição insiste que ficará para a história e marcará o início da queda de Maduro.

Apesar de a Venezuela ter as maiores reservas petrolíferas do mundo, a economia atravessa grandes dificuldades que levaram o Presidente da República a decretar, em janeiro, o estado de emergência económica.

Habituada a lidar diariamente com a insegurança, a população venezuelana queixa-se da elevada inflação e de dificuldades para conseguir produtos básicos, alimentos, medicamentos e outros, que escasseiam nos mercados locais.