Isabel Pires de Lima considera a “falta de guardarias uma situação gravíssima” que não foi ainda resolvida “por falta de orçamento” e “limitações à contratação pública seguidas por governos PS e PSD”.

Contactada pelo Observador para comentar as críticas feitas esta sexta-feira pelo diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), a ex-ministra da Cultura diz que “todos os ministros e secretários de Estado da Cultura têm tentado resolver o problema por uma questão de bom senso e boa gestão da coisa pública”. Mas a falta de orçamento no ministério da Cultura, que tutela o MNAA, não tem permitido.

“Se o problema se mantém tal como o conheci, não vejo luz ao fundo do túnel”, entende Isabel Pires de Lima, que exerceu funções entre 2005 e 2008, no primeiro governo de José Sócrates.

“Acredito que o diretor no MNAA tenha razão, este é um aspeto crónico que vem de há pelo menos 15 anos”, contextualiza a ex-ministra, que se recorda de a falta de vigilantes no MNAA “ser normalmente resolvida com contratos temporários, sobretudo no período da primavera e do verão.”

António Filipe Pimentel disse na manhã desta sexta-feira que “um destes dias há uma calamidade no museu” porque se anda a “brincar ao património”.

O diretor do museu falava na Escola de Quadros do CDS-PP, que decorre até domingo em Peniche, num painel intitulado “Qual a importância económica da cultura?”, no qual participou também Pedro Mexia, consultor para a área cultural do presidente da República.

“São 64 pessoas para 82 salas abertas ao público. De certeza absoluta que um destes dias há uma calamidade no museu. Só pode, porque andamos a brincar ao património. Mas a esta altura todas as tutelas dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais”, avisou António Filipe Pimentel, sem concretizar exatamente a que problemas se refere, de acordo com a agência Lusa.

As palavras deste responsável estão a ser interpretadas como uma crítica à falta de recursos humanos no quadro permanente do MNAA, sobretudo guardas ou vigilantes.

Na opinião de José António Pinto Ribeiro, “se há problemas de segurança não faz sentido que sejam alardeados na praça pública, o que até pode criar ainda mais problemas de segurança”. O ex-titular da pasta da Cultura, entre 2007 e 2009, desconhece a situação concreta a que se refere o diretor do museu e por isso não se alonga em comentários.

Gabriela Canavilhas, ministra da cultura do segundo governo Sócrates, não conhece o teor da intervenção de António Filipe Pimentel, mas refere que “é conhecida de há muito tempo a escassez de recursos humanos de que as instituições culturais padecem”. “Não é algo novo”, sublinha.

Foi Gabriela Canavilhas quem nomeou Pimentel como diretor do MNAA, em janeiro de 2010, no que este sucedeu a Paulo Henriques, que tinha chegado ao cargo em 2007 e saiu em rota de colisão com a ministra por discordância com novas “orientações estratégicas”. “Tem sido um excelente diretor”, nota Canavilhas.

Na tarde sexta-feira, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes fez declarações públicas, citadas por vários jornais, classificando a intervenção de Pimentel como “alarmismo”.

“Estranhei agora estas declarações, porque o diretor do MNAA conhece bem as dificuldades e os constrangimentos não apenas deste como dos museus portugueses em geral. Por isso, não entendo o alarmismo que ele manifestou agora numa reunião partidária do CDS”, afirmou o ministro.

Em termos legais, o MNAA é uma “estrutura dependente” da DGPC, à qual cabe salvaguardar e conservar os bens de museus públicos. António Filipe Pimentel é também membro da direção da DGPC.

Notícia atualizada às 23h50, com declarações do ministro da Cultura.