Na edição do ano passado, liderada por Angela Merkel, o rosto de Wolfgang Schäuble não constava, sequer, da lista das 50 figuras mais poderosos da economia nacional, divulgada pelo Jornal de Negócios. No entanto, este ano, o diário lançou o ministro das Finanças alemão para o primeiro lugar da tabela. “Nada, ou muito pouco, se faz contra a sua vontade”, escreve o jornal. “E é isso que o faz imensamente poderoso também em Portugal”.

Por Schäuble “passam todas as decisões relativas à zona euro”. Quando a Grécia tremeu, uma e duas vezes, a vontade do ministro alemão foi ultrapassada pela da sua chanceler e a Europa acabou sempre por libertar o apoio financeiro necessário à manutenção do país helénico na zona euro. Coisa rara, essa de Schäuble ser contrariado.

E a verdade é que se Portugal também voltar a tremer, como aconteceu em 2011, será em Berlim que muitos olhos se fixarão. “Se Portugal deixar de ter condições para se financiar nos mercados, a posição de Schäuble será fundamental para perceber se a zona euro dará de novo a mão com um segundo resgate ou antes dará um pontapé e chutar Lisboa para fora do clube”, antecipa o diário.

A economia vem depois da política

Na liderança da tabela, já sabemos, surge Schäuble (o responsável pelas Finanças nacionais, Mário Centeno, não foi além do 16.º lugar). A seguir, em segundo lugar, o Negócios posiciona Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu. Só na terceira posição do ranking surge o primeiro português com mais influência na economia nacional.

Não, não é nenhum empresário multimilionário e nem sequer é o primeiro-ministro ou o ministro das Finanças. Para o Negócios, a influência política, a influência mediática e a perenidade são os trunfos de Marcelo Rebelo de Sousa. Mais do que o poder da fortuna e a rede empresarial ao alcance do presidente da República, é a sua capacidade de marcar a agenda que lhe permite esse lugar de destaque. Na última edição, a menos de meio ano de ser eleito, tão pouco tinha direito a um lugar na tabela. Em jeito de comparação, o Presidente à época, Cavaco Silva, ocupava um bem mais discreto 33.º lugar.

Nesta lista do poder, a economia vem depois. Mais concretamente, no 7.º lugar. É só aí que o primeiro empresário cabe: Alexandre Soares dos Santos. Apesar de a liderança da Jerónimo Martins ter passado para as mãos do filho, Pedro Soares dos Santos (que aparece na 36.ª posição), é ao antigo homem forte da distribuidora e o segundo mais rico de Portugal que cabe a primeira posição entre os homens de negócios. De resto, só a partir da sétima posição do ranking o “poder da fortuna” se faz sentir na hierarquia apresentada pelo Negócios.

A lista avalia “as figuras que têm mais influência na economia portuguesa, independentemente de serem da área política, empresarial ou qualquer outra”, refere ao Observador Raul Vaz, diretor do Jornal de Negócios. “Temos a nossa opinião, mas ela não é suficiente para basear toda a avaliação”, refere o responsável do diário. Nessa balança, entre uma carteira recheada, uma rede de contactos forte e a capacidade de prender a atenção mediática quando intervém no espaço público, Raul Vaz considera, olhando para os primeiros lugares da tabela, que “o poder da fortuna não será suficiente para influenciar a economia e o mundo financeiro” portugueses”. Não tanto quanto o poder político, pelo menos.

50 nomes, quatro mulheres

No top cinco surge ainda o primeiro-ministro António Costa (era 35º no ano passado, enquanto Passos Coelho, que este ano surge na 30ª posição, era o terceiro mais influente na última edição). A fechar os “cinco mais”, Angela Merkel.

Depois, é preciso saltar até ao 19º lugar para voltar a encontrar uma mulher: a empresária angolana Isabel dos Santos (à frente do pai, o presidente de Angola, no lugar 25). Novo salto, desta vez para a posição 39: Catarina Martins, a líder do Bloco de Esquerda e um dos garantes da existência de um governo do PS em Portugal é o terceiro rosto feminino, numa lista que só conta com mais uma mulher: a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.