Centenas de pessoas saíram, este domingo, à rua em Macau para participar numa manifestação em defesa da permanência da Uber, depois de a empresa de transporte privado ter anunciado a sua saída do território devido a “pesadas multas”.

A Uber vai deixar Macau na próxima sexta-feira, dia 9, após ter acumulado o equivalente a mais de um milhão de euros em multas desde que começou a operar na Região Administrativa Especial chinesa em outubro de 2015.

O protesto de hoje — que juntou aproximadamente 200 pessoas segundo a polícia e 600 de acordo com organizadores — foi convocado por uma plataforma liderada pela Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau — associação criada pelos deputados da chamada ala democrata Au Kan Sam e Ng Kuok Cheong.

Mais do que uma manifestação de apoio à Uber em Macau, o protesto foi também o expressar de um descontentamento relativamente aos táxis.

“Decidi vir porque apoio a Uber como uma boa alternativa ao serviço de táxis que temos. Toda a gente sabe que é muito difícil hoje em dia apanhar um táxi”, afirmou Evelina Costa, uma das participantes.

“Eu experimentei o serviço da Uber na China e acho incrível, por isso não percebo por que é que o governo não permite que uma boa alternativa ao serviço de táxis venha a ser implementada em Macau”, sustentou.

Apesar de reconhecer que existem exceções, Maria do Carmo, aposentada, também lamentou o mau serviço prestado pelos táxis: “Não estou satisfeita (…). Eles escolhem os passageiros que querem e à base dos preços que querem, não é à base do taxímetro”.

Nunca utilizou o serviço da Uber, mas garante que irá fazê-lo quando for — se for — legalizado, manifestando esperança de que o governo mude a sua postura.

Luís Ferreira também tem esperança, dado que a Uber tem “funcionado muito bem” e tem prestado “melhor serviço”, dando um exemplo: “Saem dos carros, seguram as velhinhas e as grávidas, ajudam as pessoas a levar as bagagens — isso não se vê nos táxis em Macau”.

Embora tenha carro, recorre, por vezes, devido ao problema da falta de estacionamento, aos táxis e a sua experiência não é das melhores: “Há muitos que escolhem clientes, recebem dinheiro para o transporte e há certos locais (…) aos quais não vão por causa do engarrafamento”.

“É indispensável termos outro tipo de serviço”, vincou Evelina Costa, para quem o protesto de hoje pela legalização da Uber figura como uma mensagem para o governo de Macau.

“Mesmo que não mude [de posição], pelo menos que abra uma porta para a negociação, porque não estamos a ver isso a acontecer. A própria Uber tem dito que já tentou, por várias vezes negociar, e só vê a porta fechada. Por isso, acho que o que estamos hoje aqui a fazer é importante, é um sinal que estamos a enviar ao governo para que nos oiça”, concluiu.

O protesto pela legalização da Uber, que decorreu de forma pacífica, demorou menos de uma hora, terminando na sede do governo com a entrega de uma petição.

Ng Kuok Cheong, um dos promotores da iniciativa, mostrou-se satisfeito com a adesão ao protesto – atendendo a que corre na Internet uma petição de apoio à Uber, lançada há dias pela própria empresa, que reunia até às 18:00 de hoje (11:00 em Lisboa) mais de 22.600 assinaturas – por demonstrar nomeadamente que “existe uma procura real e um mercado real” por um serviço do tipo, defendendo ser “inevitável” o surgimento, no futuro, de outras empresas como a Uber.

“Recordo os taxistas que mesmo que o governo proíba a Uber este ano mais e mais empresas – não apenas a Uber – vão vir para Macau nos próximos anos. Temos de nos preparar bem para melhorar o serviço de táxis e também negociar com o governo no sentido de que haja um equilíbrio razoável na distribuição de interesses entre os taxistas tradicionais e as novas indústrias”, afirmou.