Passos Coelho, Assunção Cristas e Jerónimo de Sousa dividem, este domingo, o palco mediático, com o encerramento da Universidade de Verão do PSD, da Escola de Quadros do CDS-PP e da Festa do Avante! a marcarem a agenda política.

A Universidade de Verão do PSD, que decorreu em Castelo de Vide desde segunda-feira, foi das três iniciativas a mais longa, com ‘professores’ como a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, o antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes e o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel.

De Paulo Rangel partiram as críticas mais duras ao Governo de coligação do PS com “populistas de esquerda radical”, com o eurodeputado a antecipar um novo resgate caso o executivo de António Costa insista em repetir o caminho seguido em 2009 por José Sócrates.

Foi também de Paulo Rangel que se ouviram os ataques mais duros a António Costa, a quem acusou de ter traído o PS e renegado os seus princípios para “salvar a sua pele”: “António Costa é a perversão do PS, porque fez uma aliança que é uma aliança com forças populistas que põem em risco o país”, acusou.

Já Marques Mendes, que vaticinou que sem maioria absoluta o PSD não voltará ao poder, pelo menos no futuro imediato, recuperou em Castelo de Vide algumas propostas para a recuperação da credibilidade dos políticos, defendendo, entre outras ideias, a revisão do regime remuneratório dos governantes, para conseguir atrair “os melhores”.

Na edição deste ano da Universidade de Verão do PSD foi ainda recuperada a tradição interrompida em 2015 de levar a Castelo de Vide uma personalidade da área socialista, com o ex-presidente da Assembleia da República Jaime Gama a falar sobre Europa num dos jantares-conferência da iniciativa.

Hoje, perto da hora de almoço, caberá ao líder do PSD encerrar a iniciativa.

Quase à mesma hora, a 200 quilómetros de distância, em Peniche, falará também a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, a quem cabeque irá encerrar a Escola de Quadros do partido, que decorreu desde quinta-feira.

Pela iniciativa dos democratas-cristãos passaram também dois socialistas, o antigo comissário europeu António Vitorino e a ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues.

Mas, se a presença de António Vitorino, que debateu no sábado com o último líder do CDS-PP Paulo Portas “os desafios de Portugal no presente contexto internacional”, não teve contestação, já a decisão de convidar Maria de Lurdes Rodrigues não foi ‘pacífica’, como o antigo presidente da Juventude Popular e atual deputado do CDS Michael Seufert a argumentar que “heranças” como a Parque Escolar não constituem um legado respeitável.

Na iniciativa do CDS-PP, logo na abertura o eurodeputado e vice-presidente Nuno Melo afirmou que a pior sanção que Portugal poderia ter era um quarto resgate pela mãos dos socialistas, assegurando que se o Governo fosse PSD/CDS-PP a questão das sanções não se colocaria.

Já outro vice-presidente do partido Adolfo Mesquita Nunes acusou no sábado o Governo de pôr classe média, ação social, economia e serviços públicos a pagar a agenda da “extrema-esquerda” que apoia o executivo do PS.

Mais perto de Lisboa, ao final da tarde, subirá ao palco da Quinta da Atalaia, no Seixal, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, para encerrar a 40.ª Festa do Avante.

No discurso de abertura da iniciativa, na sexta-feira, Jerónimo de Sousa escolheu como ‘alvo’ das críticas o PSD e o CDS-PP, justificando o acordo com o PS com a necessidade de impedir que sociais-democratas e democratas-cristãos prosseguissem a sua “política de terra queimada”.

“O PCP, mantendo os compromissos e a palavra dada, não regateará nenhum esforço na sua ação e intervenção, na sua proposta, para que se concretize uma nova política”, prometeu.