Chama-se cacerolazo e Nicolas Maduro fugiu dele. Um dia depois de vários venezuelanos terem saído à rua (fala-se de um milhão) para exigirem a realização de um referendo revogatório depois de 17 anos de chavismo, o Presidente da Venezuela foi até ao bairro de Villa Rosa, na Ilha Margarita. Aquele lugar é descrito pelo jornal El Nacional como sendo “chavista até à medula”. Até porque, nas eleições parlamentares de dezembro de 2015, foi um dos únicos sítios onde os partidos que apoiam Maduro venceram.

Só que, menos de um ano depois, em vez de encontrar aplausos ou manifestações de apoio, Nicolas Maduro foi recebido por várias pessoas que batiam panelas — o tal cacerolazo, que já teve uma edição brasileira, cunhada como panelaço — enquanto ele passava.

A situação tornou-se mais periclitante quando Nicolas Maduro tomou a decisão de sair do carro onde seguia, para continuar o caminho a pé. Acabou por ter de sair a correr, como demonstram os vídeos feitos naquele momento e que foram partilhados por várias pessoas na internet. Uma delas foi Henrique Capriles, candidato presidencial derrotado por Hugo Chávez em 2012 e Nicolas Maduro em 2013 e também uma das caras mais conhecidas da oposição venezuelana.

Nas imagens pode ver-se como Nicolas Maduro é acompanhado de perto por pessoas que não demonstram sinais de hostilidade contra o Presidente venezuelano, mas que, mais longe, são muitas as que lhe gritam insultos e batem panelas de forma ruidosa.

No seguimento dos incidentes, terão sido detidas 30 pessoas, entre as quais o jornalista Braulio Jatar, autor dos vídeos que registaram o momento. Ao El Nacional, o advogado do jornalista disse que “detiveram-no por dar a informação na sua página do caso de Villa Rosa” e que o seu cliente “apenas difundiu uns vídeos que já são virais, públicos e notórios”.

De acordo o El Impulso, já foram todos libertados, à exceção de Braulio Jatar.

Veja os vídeos do cacerolazo: