O deputado britânico Keith Vaz, um dos membros mais influentes do Partido Trabalhista e presidente da comissão parlamentar para os assuntos internos, está envolvido num escândalo sexual que o fez pedir a demissão, ainda que temporária. Vaz, que é um dos responsáveis no parlamento pela legislação relativa às drogas e à prostituição, foi apanhado com dois prostitutos no seu apartamento em Londres. A investigação foi divulgada pelo The Sunday Mirror, que publicou fotografias e uma gravação do som de uma conversa entre Keith Vaz e os dois prostitutos. Antes deste último encontro, a 27 de agosto, o deputado trabalhista tinha-se encontrado uma outra vez com os dois prostitutos.

De acordo com o jornal britânico, o deputado pagou 300 libras (150 libras a cada um) e ainda se ofereceu para pagar cocaína, se os homens quisessem. O jornal divulgou ainda uma conversa por chat entre o deputado e um dos homens no dia anterior ao encontro, em que Vaz lhes pediu que trouxessem poppers (uma droga para melhorar o desempenho sexual). Vaz tem defendido estas práticas no parlamento britânico — quando a substância foi proibida, o deputado defendeu a sua utilização, e, na discussão sobre a criminalização da prostituição, Vaz assumiu que os clientes dos prostitutos não devem ser acusados de crime.

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Edição de 4 de setembro do The Sunday Mirror, que divulgou a reportagem sobre o escândalo sexual do deputado Keith Vaz.

O Mirror fotografou o deputado e os prostitutos a chegar ao apartamento de Vaz, e gravou a conversa entre os três homens. A conversa terá sido sobre um terceiro prostituto, romeno, que se iria juntar a eles mais tarde. Antes, via chat, Vaz já tinha pedido aos acompanhantes de luxo que lhe enviassem imagens do prostituto romeno. Quando os acompanhantes lhe disseram que o romeno deveria trazer cocaína, o deputado ofereceu-se para pagar a droga. Durante a conversa, Keith Vaz conversou com os acompanhantes sobre outro encontro que teve, com outro prostituto que eles conheciam, e que teve de fazer sexo sem preservativo.

Dos dois pagamentos de 150 libras efetuados aos acompanhantes, pelo menos um deles estará ligado a um funcionário da Silver Star, uma fundação de caridade criada pelo próprio Keith Vaz em 2007, para combater a diabetes. A fundação foi criada depois de o deputado ter descoberto que sofria de diabetes, e promove rastreios por todo o país. De acordo com o The Sunday Mirror, trata-se do primeiro pagamento, efetuado a 5 de agosto, com a referência “pintura”.

Um dos ex-administradores da instituição, que ainda é um dos responsáveis da Silver Star, já garantiu que “irá haver uma investigação”. “A nossa instituição é mundial, tem a sua sede em Leicester, e nós fazemos um bom trabalho a alertar os diabéticos para as questões da saúde. O sr. Vaz fundou-a e é o patrono. Não consigo acreditar que ele usasse alguém ligado à instituição para pagar aos seus acompanhantes“, lamentou Malde Modhwadia, um dos antigos administradores da instituição.

Afastamento imediato da comissão

O deputado Keith Vaz já reagiu à divulgação das imagens polémicas. Num comunicado, enviado ao Mail on Sunday, o deputado garantiu que está “genuinamente arrependido pela dor e sofrimento” causado — “particularmente à minha mulher e aos meus filhos”, acrescentou. “Irei informar a comissão, na terça-feira, da minha intenção de abandonar a presidência das sessões da comissão, com efeitos imediatos“, explicou o deputado, afirmando que a decisão é “inteiramente baseada naquilo que são os melhores interesses da comissão”.

No entanto, Keith Vaz criticou duramente o The Sunday Mirror pela divulgação da história. “É profundamente perturbador que um jornal nacional tenha pagado a indivíduos para agirem desta maneira”, explicou o deputado. Vaz já anunciou que irá agir “em concordância” relativamente ao jornal.

Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista — pelo qual Vaz foi eleito deputado –, já veio dizer que se trata de um “assunto privado”, acrescentando: “Ele não cometeu nenhum crime, pelo que eu sei”. O líder trabalhista admitiu, no entanto, que irá falar com o deputado.