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Foram para os Estados Unidos no início de 2016, quando conseguiram a primeira etapa da ronda de investimento que fecharam oito meses depois. Hoje, Diogo Ortega e Sofia Simões de Almeida contam com um milhão de dólares (896 mil euros) investidos na empresa que fundaram em 2014, a Line Heatlh. E para a qual querem contratar 10 pessoas até ao final do ano.

Para a ronda de investimento norte-americana, os portugueses contaram com capital da rede de hospitais Baptist Health, da seguradora Blue Cross Blue Shield, da Tricore Capital e de vários business angels, como Don Dodge (que trabalha na Google), um grupo de médicos e o geriatra Morgan Sauer. Aquando da entrada nos EUA, a Line Health recebeu investimento da incubadora de empresas de hardware Bolt.

“Quando reparámos que o nosso mercado alvo era os EUA, começámos a delinear estratégias para lá chegar. Precisávamos de dinheiro e de contactos e o ponto de viragem foi o investimento da Bolt, que a nível de hardware é muito boa. Os engenheiros que trabalham na Bolt ajudaram-nos”, conta ao Observador Diogo Ortega, líder da Line Health.

A startup portuguesa desenvolveu um dispensador de medicamentos inteligente que se conecta a um software e permite que os familiares, cuidadores ou profissionais de saúde que acompanhem um paciente saibam se ele tomou os comprimidos às horas devidas. Ou, pelo menos, se os tirou do dispensador. A ideia já tinha valido aos fundadores uma parceria com a farmacêutica Bayer, em Berlim, em abril e maio de 2015.

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Diogo Ortega, 29 anos, explica que o princípio que o levou a desenvolver a ideia se mantém igual. “Fizemos muitas alterações ao nosso produto, mas o que nos manteve agarrado ao conceito foi o problema: as pessoas não tomam os medicamentos como deviam. Fomos alterando algumas coisas até termos um produto que se adequasse ao mercado”, explica.

Já nos EUA, conseguiram uma parceria com a seguradora Blue Cross Blue Shield e outra com a rede de hospitais do Arkansas Baptist Health, através de um concurso aberto de inovação. “Estão connosco do mesmo lado da mesa e ajudam-nos bastante a desenvolver um produto que acham que faz sentido para o sistema de saúde dos EUA”, diz.

Em janeiro, a Line Health vai arrancar com um teste piloto na rede de hospitais do Arkansas, que envolve 150 doentes. O dispensador vai ser fornecido gratuitamente a doentes crónicos, que, por sua vez, recebem a medicação em casa, pelo correio, já preparada para ser colocada no dispensador. Existe uma linha de apoio disponível durante 24 horas para que possam esclarecer dúvidas e o software associado permite saber se o medicamento é tirado da caixa à hora certa. Se não for retirado, é enviada uma notificação a quem estiver responsável por supervisionar a toma.

“Detetámos que o nosso produto é mais eficaz naquele grupo de doentes que quer ser aderente à medicação, que quer cumprir com a rotina que o médico prescreveu, mas que não consegue, porque toma 10 medicamentos diferentes, tem 10 caixas em casa e é muito complicado gerir isso”, explica Diogo.

Através da parceria com a Bolt, a Line Health conseguiu atingir um custo de produção que permite oferecer o dispensador aos pacientes. “Fizemos a nossa primeira contratação nos EUA e agora vamos fazer a segunda, para produzir as primeiras 100 unidades. Também estamos a contratar em Portugal, para completar a parte de software: dois programadores e um designer. No próximo mês e meio queremos ter cinco pessoas e até ao final do ano queremos duplicar esse número”, afirma.

Depois do teste piloto no Arkansas, os portugueses querem arrancar com um segundo na Florida. “Sendo uma startup de hardware e de saúde temos o caminho das pedras. É muito complicado conseguirmos singrar ao contrario das de software, por exemplo, que podem construir uma coisa hoje e testar amanhã. Nós temos de fazer um caminho de validação mais longo”, explica.

Quanto ao mercado europeu, Diogo Ortega explica que está nos planos da empresa, mas não para já. Primeiro, quer conquistar os EUA e depois talvez o Japão, que “tem uma taxa de envelhecimento muito grande”, diz o CEO da Line Health. “Só no Arkansas, há 16 mil doentes com quatro ou mais condições crónicas. A escala é muito grande e podemos chegar a muitos mais doentes se o piloto correr bem. É esse o nosso objetivo”, conclui.