Disputando um segmento do mercado que, apesar do sucesso recente dos SUV e dos crossovers, continua a ser o mais importante a nível europeu – o dos familiares compactos –, é fácil de perceber a importância que a carrinha do novo Mégane tem, à partida, para a Renault.

Embora inserida num segmento que continua dominado pelas berlinas, maioritariamente pelas de cinco portas, a verdade é que, até mesmo em Portugal, as carrinhas não deixam de representar qualquer coisa como 30% das vendas. Percentagem ainda mais importante, se levarmos em linha de conta o objectivo assumido pela Renault de fazer do novo Mégane líder do segmento e, se possível, com o Sport Tourer a liderar igualmente entre as carrinhas.

A favor desta pretensão, no entender dos responsáveis nacionais da marca, está também o facto de o Mégane Sport Tourer ser tão português quanto possível, uma vez que foram os concessionários lusitanos que tiveram uma palavra decisiva nas especificações do produto, com a Renault a reconhecer o peso da carrinha no nosso país e a permitir que fossem os clientes portugueses a decidir o que ela deveria oferecer. E daqui nasceu um Sport Tourer em que, mais do que a funcionalidade, são o dinamismo e a elegância que ditam a lei.

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Esta aposta começa logo no exterior onde, a par da mesma linguagem de design inaugurada pela berlina, sobressaem formas elegantes e desportivas, marcadas à frente e atrás pelas respectivas assinaturas luminosas – à frente, em forma de “C”, com tecnologia LED; atrás, com um efeito 3D e a mesma tecnologia –, as quais não escondem alterações substanciais nas dimensões, face à antecessora: mais comprimento (45 mm), mais largura de vias (45 mm à frente e 39 mm atrás) maior distância entre eixos (9 mm) e menos altura (58 mm).

Utilizando como base a mesma arquitectura modular CMF C/D (Common Module Family) empregue noutros modelos como o Talisman ou o novo Espace, o novo Mégane Sport Tourer volta a repetir as linhas da berlina no interior de um habitáculo bem construído e com boa ergonomia. Esta última a fazer-se logo notar na excelente posição de condução, valorizada pela possibilidade de regulação, tanto em altura como em profundidade, do volante e do banco – o primeiro com óptima pega; o segundo em tecido (couro, só como opcional seja em que versão for) e com um design tipo bacquet muito envolvente, que muito nos agradou na versão GT Line que tivemos oportunidade de conduzir no evento de apresentação do modelo aos media nacionais.

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Em óptimo plano também a habitabilidade, sobretudo nos lugares traseiros, a beneficiar dos 4 cm adicionais na distância entre eixos, com a marca a anunciar um raio à altura dos joelhos de 216 mm e uma largura ao nível dos ombros de 1,377 mm (1,441 mm à frente), valores que a levam a reclamar a melhor habitabilidade do segmento. A par, aliás, de um maior conforto, graças à maior inclinação do banco posterior, que evolui de 25 para 27º.

Também na bagageira há melhorias, agora com uma capacidade anunciada de 580 litros, acrescida de um óptimo plano de carga. Para além disso, destaque para a possibilidade de colocação do piso, dividido em duas partes, em dois níveis diferentes: mais alto, ao nível dos assentos traseiros, como forma de aproveitar não só a possibilidade de rebatimento (1/3-2/3) das costas dos bancos, como um alçapão com cerca de 55 litros que fica sob o piso; ou mais baixo, para disfrutar da capacidade da máxima da bagageira sem perder os espaços de arrumação laterais, os ganchos porta-sacos ou, até mesmo, a prática chapeleira extensível que corre sobre calhas laterais, e que também pode ser guardada em espaço próprio quando não está a ser utilizada. E, como as costas do banco do passageiro da frente também podem ser rebatidas, tipo mesa, cria-se assim uma área para transporte de objectos mais compridos, com um máximo de 2,70 m.

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De regresso ao habitáculo, e a exemplo da berlina, há uma forte aposta na componente tecnológica, com o Mégane Sport Tourer a beneficiar, desde a versão intermédia Intens, do sistema multimédia R-Link 2 com o funcional ecrã táctil de 7″ (18 cm) e cartografia da Europa, a par de ajudas à condução e segurança, como o alerta à transposição involuntária de faixa, os sensores de chuva ou luminosidade, o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro ou o sistema Multi-Sense com cinco modos de condução: Neutral, Sport, Confort, Personalizado e Eco. Todos eles actuando de forma diferente na direcção, motor, caixa de velocidades (quando automática), rodas direccionais (apenas na versão GT) e tonalidade da iluminação ambiente. Sendo qualquer um deles seleccionável através do ecrã táctil a cores.

Perceptíveis são também as sensações que os diferentes modos do Multi-Sense proporcionam a quem vai ao volante, com a carrinha francesa a conseguir mostrar, inclusivamente, um agradável espírito desportivo quando o modo Sport é accionado. Sobretudo, quando equipada – como era o caso – com o mais potente (pelo menos, para já) dos diesel à disposição, o já conhecido 1.6 dCi de 130 cv e 320 Nm de binário.

Apoiado numa caixa manual de seis velocidades agradável no operar, este quatro cilindros destaca-se desde logo por uma excelente insonorização, a par de bons consumos (4,7 l/100 km é a média anunciada), garantindo igualmente acelerações (8,9 segundos dos 0 aos 100 km/h) e recuperações (6,3 s dos 80 aos 100 km/h, em 5.ª) competentes, em particular, com o modo Sport seleccionado. E, já agora, com o ponteiro do conta-rotações também acima das 2.000 rpm, fase em que o motor passa a revelar mais carácter.

Evidenciando um comportamento eficaz, a par de uma boa inserção em curva, fruto não só do trabalho específico a que foram sujeitas as ligações ao solo, como de uma direcção igualmente evoluída, à nova carrinha Mégane não faltam sequer argumentos como a estabilidade ou a segurança, garantidos não só pelos vários sistemas de apoio à condução, como também por uma plataforma que lhe assegura a necessária rigidez estrutural.

Naturalmente, e sobretudo no caso daqueles que já tiveram oportunidade de testar a berlina com o eficaz sistema de quatro rodas motrizes 4Control, poderá haver sempre uma espécie de sensação de que algo mais seria bem-vindo. Mas isso são contas de um outro rosário, bem mais rico e aliciante – o do Mégane Sport Tourer GT…

Equipamento: muito e bom

Disponível entre nós com cinco níveis de equipamento – Zen, Intens, GT Line, Bose e GT -, o novo Renault Mégane Sport Tourer apresenta, tal como a berlina, argumentos de bom nível desde a versão entrada. E ainda mais naquela que os responsáveis nacionais da marca francesa acreditam poder vir a ser a versão mais procurada – a GT Line.

No caso desta última hipótese em concreto, referência para, entre os elementos propostos de fábrica, pormenores identificativos como os badges ou o pack exterior/interior GT Line, a par de faróis diurnos em LED, jantes em liga leve de 17″ GT Line, barras de tejadilho metalizadas, vidros traseiros sobre-escurecidos e retrovisores exteriores em Dark Metal. Aliciantes a que se juntam, no interior do habitáculo, os bancos desportivos em tecido GT Line, volante em couro GT Line, e sistema multimédia R-Link 2 com ecrã táctil de 7” (ou de 8,7″, a partir do Bose Edition) e cartografia da Europa.

Nas tecnologias, alerta de transposição involuntária da faixa de rodagem, sensores de chuva e luminosidade, sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro e head-up display são algumas das soluções propostas de série, a que depois é possível adicionar outras, como o regulador de velocidade adaptativo (ACC), a travagem activa de emergência, os alertas de distância de segurança e de excesso de velocidade com reconhecimento de sinais de trânsito, ou o aviso de ângulo morto.

Motores: diesel, pois claro

Conhecedora da apetência dos portugueses pelo diesel, a Renault optou por lançar o novo Mégane Sport Tourer com três motorizações a diesel e duas a gasolina. Lá mais para a frente, chegará também uma variante híbrida, denominada Hybrid Assist, para a qual a marca francesa reclama os consumo e emissões de CO2 mais baixos do segmento. Com um turbodiesel dCi 110 na base, esta versão conta com um gerador eléctrico, apoiado numa bateria de 48 V, o qual tem por missão apoiar o motor térmico nas acelerações, recuperando depois a energia nas fases de desaceleração.

Preços: 22.350€ é o ponto de partida

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Já em comercialização entre nós, o Mégane Sport Tourer tem, em Portugal, preços a partir de 22.350€ (Energy TCe a gasolina de 100 cv com nível de equipamento Zen), com o diferencial de valor face à berlina situar-se nos 1.200€.

Ainda nos blocos a gasolina, a versão GT Line, que a gasolina só está disponível com o TCe de 130 cv, começa nos 26.400€, ao passo que a mais equipada GT tem como preço indicativo 33.100€.

Já entre os mais procurados diesel, preços a partir de 24.700€ (Energy DCi 90 Zen), com a dCi 110 GT Line a custar 29.450€ e o nível de equipamento imediatamente a seguir, Bose Edition, a orçar em 30.000€. Sendo que a versão por nós testada, dCi de 130 cv GT Line, custa 31.500€. Lá mais para o final do ano, chegará a mais desportiva GT, a diesel, tendo como propulsor um dCi de 165 cv e um o preço de 36.100€.

A par desta, também uma variante híbrida, ainda sem valor definido. Todos os preços disponíveis podem ser consultados aqui.

Enquanto esta opção não chega, nesta fase de lançamento a oferta a diesel centra-se em três variantes do mesmo Energy dCi, com 90, 110 e 130 cv, todos acoplados a uma caixa manual de seis velocidades – à excepção do segundo, que pode receber uma transmissão automática de dupla embraiagem EDC de seis velocidades. Para o final do ano, está agendada a chegada da versão a gasóleo mais potente, dCi 165 cv, exclusivamente para a versão GT.

A gasolina, as alternativas passam pelo 1.2 TCe de 110 e 130 cv, sendo que na motorização mais potente há a possibilidade de trocar a caixa manual de seis velocidades pela automática EDC de sete relações.

Especificamente para a versão GT, está disponível o mesmo 1.6 TCe de 205 cv com caixa EDC de sete velocidades, que já existe na berlina.

Sport Tourer GT: uma outra espécie de Tourer

Tal como a berlina, também a carrinha da nova gama Mégane conta, desde o lançamento, com uma versão mais virada para os condutores que não dispensam o frenesim da velocidade.

Denominada GT, esta versão, que é também o nível de equipamento de topo na gama Mégane (não confundir com GT Line), engloba tudo o que de bom a nova carrinha francesa tem para oferecer. A começar num design exterior ainda mais desportivo e marcado por pára-choques e grelhas dianteiras específicos, jantes de 18″ diamantadas e com o monograma GT, saída de escape cromada com difusor perfilado na cor Dark Metal (a mesma, aliás, das capas dos retrovisores e goteiras dianteiras laterais) e monograma Renault Sport nos guarda-lamas dianteiros e na traseira.

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Já no interior, bancos desportivos em tecido com apoios de cabeça integrados, pespontos em azul e logotipo Sport com padrão xadrez, aplicações também em azul disseminadas pelo habitáculo, volante desportivo em couro perfurado e com patilhas para accionamento da caixa velocidades, e pedais em alumínio.

Entre as tecnologias, destaque natural para aquelas que só esta GT tem, como é o caso do chassi Sport, da iluminação Full LED, sistema de rodas direccionais 4Control e o R.S. Drive com Launch Control, que permite fazer arranques à F1, e função MultiChange Down, para reduzir várias velocidades na caixa com um só toque.

Tudo argumentos que fazem deste Mégane Sport Tourer uma outra espécie de Tourer.