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A assembleia-geral de acionistas do BPI foi, mais uma vez, suspensa até 21 de setembro. Devido à providência cautelar em curso, interposta pelo acionista Violas Ferreira, não terá havido condições para avançar com a votação da desblindagem dos estatutos do banco. Foi o próprio CaixaBank quem pediu a suspensão dos trabalhos, informou o banco em comunicado. As ações reabriram a perder 0,7% para 1,08 euros.

Já tinha havido uma suspensão do encontro dos acionistas, em julho, para esta terça-feira, mas voltou a não ser possível avançar. A notícia da suspensão da assembleia-geral foi confirmada por Artur Santos Silva, presidente do Conselho de Administração, falando aos jornalistas. Alguns minutos antes, o Negócios tinha avançado a notícia.

Artur Santos Silva confessou aos jornalistas que existe alguma “intranquilidade” no banco devido a esta situação. “Todos sentimos uma grande intranquilidade por este assunto, que é fundamental para o futuro do banco, não estar resolvido. Compreendo que acionistas, e não só o CaixaBank, sintam intranquilidade por não estar decidido”, afirmou o responsável, citado pelos jornais presentes na assembleia-geral, que se realiza no Porto.

Ainda assim, “o banco continua bem e o funcionamento continua a correr normalmente” e, quanto ao risco de o CaixaBank retirar a OPA, Santos Silva diz que não viu qualquer tomada de posição oficial, apenas a notícia do El Confidencial.

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“A paciência tem limites e a de Isidre Fainé [presidente da Fundação La Caixa, que controla o CaixaBank] está a esgotar-se”. O jornal El Confidencial escreveu na segunda-feira que o banco espanhol está a pensar “muito seriamente” retirar a OPA ao BPI, depois das providências cautelares apresentadas pelo acionista português Violas Ferreira.

O BPI já confirmou em comunicado à CMVM a nova suspensão dos trabalhos.

“Realizou-se hoje no Porto a nova sessão da Assembleia Geral, na qual estiveram presentes ou representados 499 acionistas, detentores de ações correspondentes a 88,2% do capital social. No seguimento de proposta nesse sentido apresentada pela representante do acionista CaixaBank, S.A., a Assembleia Geral aprovou por 91,05% dos votos expressos nova suspensão dos seus trabalhos e a continuação dos mesmos para o próximo dia 21 de setembro de 2016, às 10h00”.

As ações do banco foram suspensas em bolsa esta manhã, mas a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já determinou o levantamento da suspensão da negociação. Os títulos reabriram a perder 0,7% para 1,08 euros.

O CaixaBank está a oferecer 1,113 euros por ação do BPI. As ações tinham fechado na segunda-feira a cair 3% para 1,09 euros na bolsa de Lisboa, ou seja, a negociar abaixo do preço oferecido pelos catalães. A oferta feita pelo banco espanhol está em risco, de acordo com informações divulgadas no início desta semana, depois de uma ameaça de abandono das negociações caso não sejam retiradas as barreiras judiciais que impedem que o negócio seja concretizado.

Pedro Ricardo Santos, gestor da corretora XTB Portugal, comenta que “os procedimentos dilatórios encetados pela família Violas estão a provocar o efeito desejado pelos próprios. A verdade é que a paciência dos catalães parece estar a chegar ao limite. Como resultado último, a oferta de aquisição pode mesmo não a ser concluída”. “Com isto, a família Violas consegue assegurar a sua importância estratégia na estrutura de capital do banco já que, enquanto atual aliada dos interesses de Isabel dos Santos, somando os respetivos direitos de voto, ultrapassam os 20% do Caixabank”, salienta o especialista.