Navegar no mar revolto do mercado de trabalho não é tarefa fácil. Há quem embarque na aventura sem uma bússola que oriente o caminho e ande aos papéis. No ceio de um mercado altamente competitivo em que a caça de talentos é uma regra fulcral, é premente que as empresas saibam exatamente o que pretendem “pescar” na altura de preencher novas vagas de trabalho. A mais recente e inovadora plataforma de recrutamento que está a dar que falar, promete revolucionar o mercado da contratação tal qual como o conhecemos.

Dá pelo nome de Harpoon.jobs e, tal como o nome indica, funciona como um arpão, uma arma rápida e precisa para quem anda à pesca de talentos qualificados ou do emprego dos seus sonhos.

O processo de recrutamento é fácil e eficaz, como explica o fundador e CEO da Harpoon.jobs, Matthieu Douziech. De um lado estão os candidatos; do outro, estão as empresas. Para cada candidato existirá um trabalho perfeito e vice-versa. Ora, em vez de procurar um a um, como agulha num palheiro, a Harpoon.jobs cruza os dados e faz tiro certeiro ao alvo. Já lá diz o povo: há sempre uma tampa para cada panela. O objetivo da plataforma é encontrar a “outra metade” que lhe assenta na perfeição.

“Somos agentes de talentos”

Na Harpoon.jobs, tudo funciona de forma muito simples: “O candidato regista-se na plataforma Harpoon.jobs, preenche o seu perfil, assina os termos de acesso ao seu histórico de carreira e responde a três perguntas em Inglês. Com base no percurso profissional, na capacidade de destaque e na conversa connosco, decidimos aceitar ou não o candidato como membro”, continua Matthieu Douziech, que deixou para trás uma carreira sólida nos Recursos Humanos da L’Oreal para fundar a startup portuguesa, em maio deste ano.

Sim, nem todos os candidatos têm acesso à plataforma. Há uma filtragem à entrada que pretende garantir a máxima qualidade nos recursos selecionados. Contudo, depois de ser aceite, cada um é tratado de forma única. “A nossa lógica é a de agentes de talentos. Conhecemos perfeitamente os nossos membros, sabemos quais são os seus perfis e expectativas”, compara.

O que acontece a seguir é pura matemática, mas não deixa de ter uma certa magia. “Quando uma empresa se regista na plataforma e coloca uma oferta de trabalho, o nosso algoritmo de matching entra em ação e verifica quais são os membros mais adequados. Se houver um match, os candidatos recebem uma notificação através da Web e da App, podendo aceitar ou recusar a oferta. Nós temos de garantir às empresas talentos qualificados e interessados Caso aceitem, as empresas recebem uma notificação com o perfil do candidato”, esclarece.

Também aqui a Harpoon.jobs se distingue das clássicas agências de recrutamento: o perfil de cada candidato fica parcialmente anónimo até que este decida partilhar os seus contactos. Assim, “a empresa vai aceitar ou recusar o perfil do candidato sem saber quem é”.

Segundo o CEO, a ideia do anonimato surgiu nos focus groups que desenvolveu antes de lançar a plataforma. “Descobri que os talentos valorizam imenso a possibilidade de sondar o mercado sem se comprometerem”, conta.

Do “flirt” ao compromisso

Caso a empresa aceite o match, passa-se a uma fase de conversa via chat, a que o CEO chama a “fase de flirt”, até decidirem encontrar-se e, quem sabe, talvez “casar”. Aqui, a Harpoon.jobs não mete o nariz.

Como sublinha Matthieu Douziech, “o chat não é uma brincadeira, é uma forma extremamente moderna e instantânea de ambas as partes se conhecerem melhor e de saberem se há interesse mútuo em passar à fase de entrevista. Embora o chat possa durar 15 dias, demora em média apenas 3 dias, o que significa que as empresas acreditam na qualidade dos candidatos que vão encontrar”.

Atualmente, a Harpoon.jobs tem mais de 500 membros. Posso dizer que conheço todos os membros que estão na plataforma. Estão lá talentos com o mínimo de 3 anos de experiência, a trabalhar em diferentes áreas, tais como marketing, vendas, finance, digital, logística… Há de tudo. Cada membro recebe 250 euros quando é recrutado, como recompensa.

Quanto às empresas que mais procuram a Harpoon.jobs, são sobretudo multinacionais, mas também existem empresas portuguesas na lista. “Só queremos as melhores”, diz.

Quanto ao futuro, Matthieu Douziech confia que o recrutamento será cada vez mais digital e não esconde a ambição gigantesca de crescer a nível internacional, mas com qualidade.

Juntar os melhores: “esta é a nossa obsessão”.