A ciência estava em franca expansão no início do século XX: o físico Albert Einstein formulou a Teoria da Relatividade Especial, o químico Walther Nernst ditou as três leis da termodinâmica e Alfred Bertheim, outro químico, criou a arsefamina, uma droga que havia de ser usada mais tarde no combate a doenças infecciosas. A par de toda esta evolução, a psicologia tentava aproximar-se cada vez mais da seriedade que rotulava apenas as ciências exatas, com Freud e Jung a contribuírem para isso.

Mas houve um médico que juntou as duas, causando uma discussão no cerne da comunidade científica: em março de 1907, o The New York Times noticiava que o norte-americano Duncan MacDougall havia conseguido pesar a alma. E que ela tinha precisamente 21 gramas.

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A metodologia que este médico usou naquela época seria destruída se fosse publicada na atualidade. Mas aquela manchete veio dividir opiniões. MacDougall pediu a seis pacientes no leito da morte que se deitassem em camas equipadas com uma balança sensível. A sua ideia foi perceber se o valor exibido pela balança se alterava no momento exato da morte. Por isso, monitorizava tudo: sempre que um paciente transpirava ou urinava, MacDougall media a quantidade de fluidos corporais que o corpo perdia. Até mesmo a perda ou entrada de gases, como oxigénio ou azoto, era tida em conta. Sempre que alguém morria, a balança acusava a mesma perda de massa. Duncan MacDougall chegou à sua conclusão: a alma, que abandonava o corpo depois da morte, pesava 21 gramas.

Os resultados trouxeram grande alarido. Logo depois da publicação no The New York Times, o médico Augustus P. Clarke “teve um dia cheio” a analisar cada passo do colega de profissão na sua experiência. E anunciou que ela tinha algumas limitações e que o peso medido podia não estar correto. Mais do que isso, Clarke justificou a perda das 21 gramas aquando da morte: ao parar de arrefecer o sangue, o cadáver tendia a aquecer um pouco e a transpirar. O suor perdido podia perfazer as 21 gramas de Duncan MacDougall. Mas o “médico da alma” ripostou logo a seguir e argumentou que, se a circulação sanguínea cessa após a morte, então não haveria aumento da temperatura. Foi assim, entre perguntas e respostas, que o The New York Times continuou a publicar artigos sobre esta matéria até ao final de 1907.

Passaram-se quatro anos e Duncan MacDougall continuava a estudar a morte. Em 1911, disse que tinha mais uma ideia: iria não apenas pesar a alma, como também fotografá-la. Mesmo que “a substância da alma se possa agitar ao ser fotografada no momento da morte”. Utilizou doze pacientes que estavam perto da morte. E fotografou, diz ele, “uma luz semelhante à do éter interestelar” que aparecia junto ao crânio do cadáver.

Apesar do seu esforço, Duncan MacDougall morreu em 1920 com um pequeno grupo de apoiantes e sem a mínima credibilidade junto da comunidade científica. No entanto, os relatórios que escreveu chegaram aos nossos dias e encheram o imaginário dos mais dados à parapsicologia. E até mesmo ao mundo das artes, onde inspirou filmes, livros, séries e músicas.

Mas o que se diz agora sobre a matéria da alma? Para alguns cientistas, aquilo a que chamamos alma pode ser estudada através das partículas quânticas. Outros apostam que a alma é uma série de ondas eletromagnéticas emanadas pelo cérebro. Respostas cientificamente comprovadas há poucas ou nenhumas.