“O governo português tem maior apetite por anunciar medidas anti-austeridade, para agradar às massas, do que medidas de reforma com o objetivo de tornar o setor público mais eficiente e incentivar o investimento”. Foi esta a mensagem transmitida esta quarta-feira pelo diário financeiro Financial Times aos seus leitores, num artigo de análise escrito por um dos editores do jornal.

O jornal financeiro traça um quadro preocupante da situação em Portugal, um país que vive numa “tempestade perfeita de baixo crescimento económico, investimento em queda, fraca competitividade, défices orçamentais persistentes e um setor bancário subcapitalizado que é dono de uma parte demasiado grande da enorme dívida pública do país”.

O que preocupa o Financial Times é que, para responder a todos estes desafios, está um “governo socialista minoritário, apoiado no parlamento pela extrema-esquerda”. “A questão é saber se os problemas de Portugal irão tornar um segundo resgate inevitável”, escreve o editor do Financial Times.

O problema mais urgente é que caso a agência DBRS venha a despromover o rating português no próximo mês, os investidores privados [na dívida portuguesa], “Portugal ficará um passo mais perto de um segundo resgate. Mas os mercados financeiros ficariam sem saber que medidas o BCE, os governos da zona euro e o FMI tomariam para salvar o país”.

O Financial Times lembra que um eventual segundo resgate iria, sem dúvida, promover “divergências” entre as partes envolvidas, entre as quais o FMI (ainda “queimado” pelas experiências na Grécia e, provavelmente, iria exigir uma reestruturação da dívida portuguesa) e a Alemanha (que tem eleições em 2017).