[Notícia atualizada às 23h55]

Ao final da noite desta quarta-feira, a Proteção Civil assinalava seis incêndios de grandes dimensões no continente. Os distritos mais afetados são: Castelo Branco, Guarda, Bragança, Vila Real e Faro.

Reacendimento do fogo em Monchique combatido por mais de 200 bombeiros

O incêndio em Monchique, no Algarve, que começou no sábado e que tinha sido dominado no domingo, reacendeu-se esta quarta-feira pelas 19h57 e está a lavrar com intensidade devido ao vento, disse à Lusa fonte dos bombeiros.

De acordo com uma fonte do Centro Operacional de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, as chamas deflagraram ao início da noite, “desconhecendo-se ainda se será um reacendimento ou uma ignição nova”.

“Neste momento, [22h00] a frente de fogo tem com alguma intensidade e está a evoluir na direção da povoação de Casais, devido ao forte vento que se faz sentir”, observou a mesma fonte.

No combate ao fogo estão envolvidos 201 operacionais, apoiados por 66 viaturas.

Fogo na Guarda progride em zona de “poucos acessos”

O incêndio florestal que lavra no concelho da Guarda, na freguesia de Trinta e Corujeira, tem uma frente ativa e progride numa zona de “poucos acessos”, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

Segundo fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda, pelas 21:35, o fogo, que começou às 13:34 numa zona de mato, apresentava “uma frente ativa com cerca de dois quilómetros” e lavrava numa zona de acessos difíceis para homens e viaturas.

Durante a tarde as chamas rodearam as aldeias de Corujeira e Trinta, mas não atingiram habitações.

“Na Corujeira, [o fogo] chegou mesmo às casas, esteve dentro do povo, mas não causou danos em habitações”, disse José Morgado, secretário da Junta de Freguesia de Corujeira e Trinta.

O autarca referiu ainda à Lusa que as chamas destruíram palheiras e casas de quintas que se encontravam desabitadas.

De acordo com a informação disponibilizada na página da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o fogo está a ser combatido por 115 operacionais, auxiliados por 33 veículos.

Fogo no distrito de Bragança obriga a corte da Estrada Nacional 221

A Estrada Nacional 221, que liga Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta (distrito de Bragança), está esta quarta-feira à tarde cortada em vários pontos devido ao reacendimento de um incêndio florestal, informou a Proteção Civil municipal de Mogadouro.

Segundo a mesma fonte, também a estrada municipal que liga a Estrada Nacional 221 a Bruçó, no concelho de Mogadouro, foi cortada ao trânsito. A aldeia de Bruçó está, assim, sem ligações por via terrestre.

O incêndio deflagrou na terça-feira de manhã na localidade de Fornos, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, e foi dominado durante a madrugada, mas hoje, ao início da tarde, houve um reacendimento.

As chamas alastraram-se aos municípios de Torre de Moncorvo e Mogadouro. Segundo a página da Proteção Civil na internet, para o local foram mobilizados 216 operacionais, 81 viaturas e seis meios aéreos.

Mais de 300 bombeiros em Proença-a-Nova

Um incêndio que deflagrou às 14h desta quarta-feira em Proença-a-Nova está a ser combatido por mais de 300 operacionais, disse à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal.

De acordo com a mesma fonte, as chamas lavram com grande intensidade numa zona muito próxima da povoação de Casalinho. “Neste momento [15:50], a situação é bastante grave e perigosa, porque o fogo está a progredir entre as povoações do Casalinho e Atalaia, estando a passar muito próximo do Casalinho”, referiu João Lobo.

Segundo referiu, não haverá pessoas em risco e “para já” a localidade não foi evacuada, mas essa possibilidade está a ser avaliada: “Eventualmente poderá ter de se fazer, mas vamos ver o que é possível fazer para travar as chamas”, disse. O fogo tem “uma frente muito vasta” e o facto de estar muito vento não está a ajudar ao combate.

De acordo com a informação disponibilizada na página da Autoridade Nacional de Proteção Civil, este fogo deflagrou às 14h, estando a ser combatido por 319 operacionais, auxiliados por 81 veículos e seis meios aéreos.

Vento forte e vários focos dificultam combate em Vila Pouca de Aguiar

O vento, a falta de acessos e a existência de vários focos dificultam hoje o combate às chamas em Vila Pouca de Aguiar, onde a frente que mais preocupa os operacionais começou a ceder às descargas dos meios aéreos.

“Temos uma frente ativa que nos causa alguns problemas e que vai em direção à aldeia de Paredes do Alvão, mas é onde estão a atuar os meios aéreos e o fogo está a ceder às descargas. Esta parte que nos preocupa mais está a ceder aos meios terrestres e aos meios aéreos”, afirmou o comandante dos bombeiros do Peso da Régua, Rui Lopes, perto das 19h.

O incêndio, que começou em Soutelinho do Mezio, freguesia de Telões, na segunda-feira, chegou a ser dado como extinto, mas reacendeu na tarde de terça-feira.

Rui Lopes está a comandar as operações em Vila Pouca de Aguiar e disse à agência Lusa que, no terreno, as grandes dificuldades encontradas pelos operacionais são o vento forte, os acessos e também a falta de meios, já que, por causa das muitas ignições, é preciso dispersar os operacionais. Depois, acrescentou, têm-se verificado também “muitas reativações”.

Para além da frente de Paredes do Alvão, há frentes viradas à aldeia da Samardã e a Soutelinho do Mezio.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, disse que os fogos que assolaram o concelho nos últimos dias queimaram cerca de 15 mil hectares, ainda alguns armazéns agrícolas e casas devolutas. O autarca referiu que as chamas cercaram várias aldeias, mas, apesar de terem ardido algumas casas devolutas e armazéns, os bombeiros e população conseguiram evitar que fossem atingidas casas habitadas. Foi, no entanto, necessário retirar algumas pessoas de algumas aldeias por uma questão de precaução.

“Ainda que a época seja de combate, o problema é que se tem descurado a prevenção”, afirmou ainda o presidente.

Alberto Machado disse que defendeu perante os governos (anterior e atual) “a necessidade de mudar as competências na gestão e intervenção florestais, administrada pelos conselhos diretivos e Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

“É preciso alterar a atual lei de gestão dos baldios porque o Estado não faz nada. Por conseguinte, as competências têm de ser delegadas na autarquia para que esta possa, por exemplo, efetuar repovoamentos florestais ou ter autonomia na criação de pontos de água”, salientou. O mais recente exemplo da “inércia estatal” na gestão florestal é, segundo Alberto Machado, que “a autarquia está há mais de três meses à espera de autorizações para melhores acessos aos pontos de água”.

Segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), no combate a este fogo estão 162 bombeiros, sapadores florestais, militares da GNR e do Exército, que estão a ser apoiados por 48 viaturas e três meios aéreos.

Incêndio em Viseu considerado ocorrência importante

Em Viseu, na localidade de Povoação estão 87 operacionais, apoiados por 24 meios terrestres que combatem um fogo com uma frente ativa, que teve início às 16h29.