A oposição pediu hoje ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela para permitir que entre 17 e 19 de setembro recolha as assinaturas e impressões digitais necessárias para ativar o referendo revogatório presidencial.

O pedido foi feito pela Mesa de Unidade Democrática (MUD) através de um documento, entregue no âmbito de uma marcha realizada hoje em diferentes regiões do país, até aos escritórios regionais do CNE, que amanheceram fechados e fortemente militarizados.

Segundo a MUD, a recolha de assinaturas (4 milhões de assinaturas, 20% dos eleitores) teria lugar entre as 06:00 e as 18:00 horas locais, tendo por base “uma circunscrição única nacional (a Venezuela) e não por entidade federal, porque o propósito é revogar o mandato do Presidente da República”, minimizando informações que dão conta de que a recolha seria de 20% de assinaturas por cada região.

A MUD propôs que seja instalada uma mesa técnica com representantes da mesa e outras organizações políticas que desejem integrar-se para “determinar as condições técnicas correspondentes à fase de recolha de manifestações de vontade” dos cidadãos.

O documento termina exigindo a “ativação da totalidade dos dispositivos de autenticação” usados nas eleições nacionais e “os mesmos centros de voto” o que equivale a 40.000 mil leitores de impressões digitais e 14.000 centros eleitorais.

Depois das manifestações de hoje e de ter realizado, a 1 de setembro, uma “tomada de Caracas”, na qual participaram, segundo os organizadores, 1,1 milhões de pessoas e mais de 30 mil pessoas segundo o Governo, a oposição prevê realizar, a 14 de setembro uma “tomada” de todas as cidades da Venezuela, durante 12 horas e duas semanas mais tarde uma “tomada” do país.

A oposição quer realizar um referendo revogatório do mandato de Nicolás Maduro ainda em 2016 e tem acusado o CNE de atrasar propositadamente a calendarização das diferentes etapas do processo.

Se o referendo se realizar até 10 de janeiro de 2017 deverão ser convocadas novas eleições presidenciais, segundo a legislação venezuelana.

Se ocorrer depois dessa data, o vice-Presidente da Venezuela em funções, atualmente Aristóbulo Isturiz, assumirá os destinos do país até 2019, quando termina o atual mandato presidencial.

O Presidente Nicolás Maduro, seus ministros e porta-vozes dos partidos que apoiam a revolução bolivariana têm insistido que não será possível realizar o referendo em 2016 e acusam a oposição de ter entregado tarde o pedido.