O homem que atacou esta quarta-feira dois polícias com um machado e acabou morto a tiro no Vale da Amoreira, concelho da Moita, era guineense, tinha 52 anos e um longo cadastro criminal, onde se destacam as agressões. Esta manhã os dois elementos da PSP que agrediu traziam um mandado de detenção em seu nome quando o abordaram de carro. Ele reagiu de imediato, atacando a polícia com um machado e uma faca. O suspeito acabou morto ao quarto tiro disparado pelo polícia que permanece internado no hospital do Barreiro.

Já passavam das 10h00 quando os dois polícias, ao serviço da Esquadra de Fiscalização e habituados a fazer o serviço de notificações, atravessavam a Avenida Almada Negreiros num carro descaracterizado da PSP. Um dos serviços do dia trazia o nome de um guineense já cadastrado. O tribunal do Barreiro mandava a polícia detê-lo, constituí-lo arguido e libertá-lo com Termo de Identidade e Residência.

Foi ainda no interior do carro que a PSP avistou o tal homem. O polícia que conduzia o carro parou e abordou-o. Ele, de mochila às costas, parecia não responder. O polícia insistiu e, de repente, foi atacado com uma faca e com um machado. Foi apenas o tempo de o colega contornar a viatura e tentar demover o suspeito e já o colega tinha sido atingido no peito e no pescoço — num ferimento que por pouco não lhe atingiu a veia jugular e não lhe roubou a vida. “O segundo polícia também sofreu ferimentos e foi quando ele interveio que o primeiro sacou da arma e disparou”, disse fonte da Polícia Judiciária ao Observador.

Segundo a PJ, o polícia que se encontra agora internado em estado grave — embora livre de perigo — disparou um tiro abaixo do joelho do suspeito na tentativa de o demover. Um terceiro e um quarto disparos atingiram o suspeito na coxa. E só o quarto tiro, que entrou pelo queixo e atravessou a cabeça, o fez tombar. Quando os bombeiros chegaram ao local, estava morto.

O suspeito, ainda de acordo com a mesma fonte, viverá numa barraca ali no bairro. Não terá família próxima ali a morar e estava já referenciado por vários crimes, entre eles agressões. Há quem diga que se dedicava a apanhar ameijoa para ganhar dinheiro.

Segundo o Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal, o alerta chegou às 10h44. Os bombeiros da Moita, uma ambulância dos Bombeiros do Barreiro Sul e Sueste e uma viatura médica estiveram no local. Com eles elementos da PSP, da GNR e da PJ.

Apreendida a arma que disparou — e que pertence ao polícia internado — ao testemunho do polícia ferido e ao cenário encontrado no local, a primeira impressão da PJ é que se tratou de um caso de “legítima defesa”. “Os dois polícias identificaram-se porque foi encontrado um crachá no local do crime”, ressalva a PJ.

Esta foi logo a tese oficial da PSP de Setúbal, quando um par de horas após o ocorrido explicou o que tinha acontecido. Por seu turno, a porta-voz da Direção Nacional da PSP, a comissária Cláudia Andrade, explicou ao Observador que os tiros foram disparados para a zona das pernas. Mas quando o homem tombou no chão foi atingido “acidentalmente” numa zona vital.

Inquéritos abertos

A Direção Nacional da PSP abre de imediato um inquérito quando existem ocorrências em que os polícias disparam e em que há feridos ou mortos. O inquérito deverá apurar se os polícias agiram em conformidade com o caso. Paralelamente, embora interligado, correrá um inquérito no Ministério Público. Estes dois inquéritos já foram abertos.

O caso está nas mãos da Polícia Judiciária de Setúbal, que recolheu vários vestígios no local. A PJ já ouviu o polícia que sofreu ferimentos ligeiros. “Está muito abalado”, diz a fonte. Foi também apreendida a arma de calibre 9 mm do outro polícia — a única que disparou. Mais tarde a PJ vai querer ouvi-lo.