Os rumores não são novos, mas estão a subir de tom nas vésperas de uma reunião da cúpula da empresa que será decisiva. A empresa dona da rede social Twitter, pressionada pela falta de crescimento na base de utilizadores, encara como uma possibilidade cada vez mais forte colocar um sinal “Vende-se” à porta da sede. A solução para as tormentas da empresa poderá ser a mudança de donos, como aconteceu recentemente com a Yahoo.

O site noticioso Recode, especializado em informação tecnológica, adiantou na terça-feira que a reunião da administração do Twitter, esta quinta-feira em São Francisco, vai ponderar o futuro da empresa enquanto companhia independente. As ações do Twitter, que não têm tido vida fácil na bolsa nos últimos meses, têm registado alguma recuperação que os analistas atribuem a especulação de que a empresa poderá convidar outras para fazerem uma oferta — eventualmente retirando a empresa da bolsa para que esta se possa reorientar longe dos olhares expectantes dos investidores.

Para alimentar essa especulação na bolsa bastou uma entrevista de um co-fundador do Twitter à Bloomberg. Constrangido pelas regras inerentes ao facto de ser membro do conselho de administração, Evan Williams não excluiu que a empresa tem de “considerar as opções certas”. Esta foi a resposta a uma questão sobre se o Twitter teria futuro enquanto empresa independente.

Crescimento... empatado

Mostrar Esconder

O Twitter tem cerca de 300 milhões de utilizadores ativos (mensais, ou seja, que entram na rede social pelo menos uma vez por mês). Há dois anos, tinha 240 milhões. Em comparação com o Facebook, por exemplo, a rede social de Mark Zuckerberg tem 1.500 milhões de utilizadores, tendo crescido 300 milhões nos últimos dois anos. Ou seja, o Facebook conquistou nos últimos dois anos o mesmo número de utilizadores que o Twitter conquistou (e conservou) em toda a sua existência.

A pressão bolsista sobre o Twitter não se deve à falta de lucros. Afinal de contas, estamos a falar de uma empresa tecnológica norte-americana e isso raramente é um fator de preocupação. Mas o que é quase sempre um fator que preocupa — e muito, no caso do Twitter — é a falta de crescimento das receitas e da base de utilizadores. O único ponto mais positivo é que o Twitter tem conseguido melhorar as receitas com publicidade, mas ainda assim os investidores não têm ficado satisfeitos: as ações afundaram 14% na primeira sessão após a apresentação dos resultados trimestrais mais recentes.

Recentemente, o Twitter até se deixou de considerar uma rede social na loja de apps da Apple — a App Store. O Twitter passou a chamar a si próprio uma aplicação de notícias, numa decisão que foi lida como uma tentativa de subir nos rankings das apps mais populares, isto porque no grupo das redes sociais o Twitter está bem abaixo de outras como o Facebook, o Instagram e o Pinterest.

Mas quem pode ser candidato à compra do Twitter?

Como afirma a Recode, encontrar um comprador não será fácil, mesmo aos atuais preços deprimidos na bolsa. Ainda assim, a Yahoo — outra empresa que passou anos de indefinição — encontrou um comprador. E até o LinkedIn, essa sim com um pouco mais de sucesso, foi adquirido por uma empresa maior (a Microsoft). Estes negócios tornam mais provável que o próximo a colocar uma tabuleta “Vende-se” à porta seja o Twitter.

Rupert Murdoch, multimilionário australiano dono da 21th Century Fox e do The Wall Street Journal (Dow Jones), desmentiu recentemente os rumores de que estaria a cobiçar o Twitter. Mas a Recode, que diz ter conversado com fontes dentro da empresa, admite outras possibilidades: entre as quais, as gigantes Apple e Google. A Google, diz a publicação, poderia equacionar comprar o Twitter para dar mais luta nas redes sociais (ainda não terá desistido, por sinal, apesar dos vários fracassos dos últimos anos nessa área).

Nos cálculos da Recode, aplicando os mesmos múltiplos que foram usados na compra do LinkedIn pela Microsoft, o comprador do Twitter poderia ter de pagar um valor na ordem dos 18 mil milhões de dólares, sensivelmente o mesmo que o Facebook pagou pelo Whatsapp há alguns anos.

Enquanto o futuro não fica definido, o que parece muito provável é que o Twitter anuncie uma nova vaga de cortes de custos, depois de há menos de um ano ter reduzido o pessoal em 8%. A redução de custos, numa empresa que é vista como pouco eficiente, poderá ser importante para assegurar a viabilidade mas, sobretudo, para se tornar mais atrativa aos olhos de um eventual comprador.