A juíza Cármen Lúcia tomou posse hoje como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, tornando-se a segunda mulher a ocupar o mais alto cargo do judiciário do país.

Com um mandato de dois anos, a nova presidente do STF sucedeu ao juiz Ricardo Lewandowski, numa cerimónia em que também tomou posse o novo vice-presidente do tribunal, o juiz Dias Toffoli.

A cerimónia, realizada em Brasília, contou com a presença do Presidente do Brasil, Michel Temer, do ex-Presidente Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva e dos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros.

Segundo informações da Agência Brasil, esta foi a primeira vez que ‘Lula’ da Silva compareceu a uma cerimónia de posse no STF após deixar a Presidência da República. O ex-Presidente brasileiro foi o responsável pela nomeação de Cármen Lúcia no STF, em 2006.

O compositor e cantor Caetano Veloso abriu a cerimónia cantando o Hino Nacional do Brasil. De seguida, os dois juízes empossados prestaram juramento à Constituição.

Em seguida, o juiz mais velho do STF, Celso de Mello, abriu os discursos elogiando Carmen Lucia. Durante a maior parte do seu discurso, porém, ele citou a crise política e criticou os casos de corrupção que atingem o país.

A corrupção traduz um gesto de perversão da ética do poder e de erosão da integridade da ordem jurídica, o dever de probidade e de comportamento honesto e transparente, configura um obrigação cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República, que não tolera o poder que corrompe, nem admite o poder que se deixa corromper”, frisou.

Já Celso de Mello completou o seu discurso afirmando que ninguém ignora que o Brasil enfrenta gravíssimos desafios e que a sociedade não admite, e nem pode admitir, que políticos que usam o cargo para cometer crimes ou em benefício próprio estejam no poder.

O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, por seu turno, destacou a importância da Operação Lava Jato como fator que pode promover uma mudança na sociedade brasileira e a necessidade da Justiça do país aumentar as ações de combate aos crimes contra o património público.

No final da cerimónia de posse, Cármen Lúcia fez questão de mencionar que comandará o STF num momento que exige mais coragem, mas que também é um tempo de esperança.

O tempo é também de esperança, o povo está nas ruas pelos seus interesses. O que todos querem é um país mais justo. E isso será construído com a união de todos, na igualdade e na desigualdade”, declarou.

Uma das maiores prioridades já anunciada por Cármen Lúcia como objetivo central de sua gestão é a diminuição do tempo de duração dos processos, que costumam tramitar por muito tempo naquele tribunal.